Dirigente camaronês da Fifa nega acusação de propina

Dirigente negou as acusações e ameaçou entrar na Justiça.
Image caption Camaronês teria recebido 100 mil francos suíços de empresa em 1995

O dirigente de futebol camaronês Issa Hayatou negou nesta terça-feira as acusações de suborno apresentadas em um programa jornalístico da BBC e ameaçou entrar na Justiça contra a reportagem.

Hayatou, que é vice-presidente Fifa, presidente da Confederação Africana de Futebol (CAF) e integrante do Comitê Olímpico Internacional (COI), afirmou que o dinheiro citado como suborno pelo programa Panorama, da BBC, foi na verdade pago à CAF.

O dirigente disse que o dinheiro era parte de um acordo de patrocínio com a empresa de marketing esportivo ISL (International Sport and Leisure), falida em 2001.

A BBC afirma que mantém as alegações e que Hayatou teve várias chances de dar a sua versão dos fatos.

"Hayatou agora parece dizer que existe uma explicação inocente para o pagamento da ISL", disse a BBC em um comunicado.

"No entanto, quando o Panorama escreveu-lhe repetidamente e fez contato pessoalmente oferecendo-lhe uma oportunidade para dar seu lado da história, ele não deu explicações", acrescenta o comunicado.

Leia mais: Três dirigentes da Fifa receberam propinas, diz programa da BBC

Versão de Hayatou

Hayatou negou veementemente as alegações do Panorama de que teria recebido, em 1995, 100 mil francos suíços (R$ 34,4 mil) da ISL, que fazia lobby para fechar acordos lucrativos com a Fifa - órgão que administra o futebol mundial.

"Este dinheiro não era para mim, era para o aniversário de 40 anos da CAF", disse o camaronês. "Na época, a ISL era patrocinadora da CAF, e eles deram o dinheiro para a CAF e não para mim. O comitê executivo da CAF aceitou e aprovou (o recebimento do dinheiro)."

"Eu tenho uma reunião com meus advogados, vou conversar com eles e, a partir daí, verei o que fazer", acrescentou.

Em um comunicado divulgado mais tarde, a CAF deu apoio a Hayatou. "O contexto em que esta informação foi transmitida não reflete a verdade do que ocorreu", afirmou a entidade.

A nota acrescenta que o dinheiro foi uma doação da ISL e que o comitê executivo da CAF "estava a par da citada doação e deu a sua aprovação".

Leoz e Teixeira

Assim como Hayatou, o Panorama também acusou dois outros dirigentes da Fifa - o paraguaio Nicolas Leoz, presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), e Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Os três fazem parte de um grupo de 22 integrantes que decidirá o país-sede das Copas do Mundo de 2018 e 2022.

Mais cedo, o COI anunciou que vai verificar as acusações, já que Hayatou é um membro da entidade.

"O COI tomou nota das alegações feitas pelo Panorama e vai pedir aos responsáveis pelo programa que repassem qualquer evidência que eles possam ter às autoridades competentes", disse.

Antes que Hayatou falasse sobre o assunto, a Fifa divulgou um comunicado afirmando que as alegações se referem a eventos que ocorreram antes de 2000 e que foram investigadas pelas autoridades suíças.

"Em seu veredicto de 26 de junho de 2008, a Corte Criminal de Zug não condenou quaisquer dirigentes da Fifa", disse a entidade, que tem sua sede na Suíça.

"É importante, portanto, destacar de novo o fato de que nenhum dirigente da Fifa sofreu qualquer acusação criminal neste procedimentos."

Copa de 2018

Inglaterra e Rússia disputam a indicação para sede da Copa de 2018. Espanha e Portugal também concorrem em uma candidatura conjunta, assim como Holanda e Bélgica.

O comitê que representa a Inglaterra criticou a decisão da BBC de levar o programa ao ar três dias antes da votação sobre as sedes na Fifa.

As supostas propinas para os três membros do comitê executivo da Fifa teriam sido pagas pela ISL entre 1989 e 1999, segundo afirmou o Panorama.

A ISL ganhou da Fifa a exclusividade para negociar cotas de publicidade da Copa do Mundo, recebendo milhões de dólares com os direitos de transmissão pela televisão.

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