Cartel mexicano proíbe uso de drogas entre traficantes

Integrantes da Família Michoacán detidos/AFP
Image caption Membros da Família Michoacana têm que obedecer a um duro código de ética

Um dos mais perigosos cartéis de traficantes mexicanos proíbe seus integrantes de beber, usar drogas, roubar, praticar violência contra mulheres ou dirigir acima do limite de velocidade, de acordo com autoridades do país.

Membros do grupo conhecido como La Familia Michoacana são ainda obrigados a comportar-se com humildade e a respeitar a comunidade.

Segundo a polícia mexicana, estas medidas ajudaram o grupo a conquistar forte apoio popular.

O grupo opera no Estado de Michoacán, cujas economia é centrada na agricultura.

Conselhos

Um dos fundadores do cartel, Nazario Moreno, apelidado de "O Mais Louco", é tido como uma espécie de pastor religioso, que exige bom comportamento de seus comandados.

De acordo com o repórter Alberto Nájar, da BBC Mundo no México, alguns traficantes capturados pela polícia descreveram "práticas motivacionais" de seus chefes, que incluem a leitura da chamada "Bíblia da Família".

No documento escrito por "O Mais Louco" estão conselhos e pensamentos.

"Trate de fazer o bem com o dom que Deus te deu, use os poderes da mente e viva como Deus manda, com humildade", diz um dos conselhos.

"Ao procurar a perfeição e a sabedoria, me dei conta de que a não existem nem perfeição nem sabedoria totais. Creio que exista algo que se aproxime a isto e se chama humildade, honra, amor, generosidade, paciência, aceitação e justiça verdadeira", afirma outro.

Violência

O grupo nasceu em 2006 como uma reação ao cartel Los Zetas, organização formada inicialmente por ex-soldados de elite do Exército.

A Família Michoacana divulgou seu surgimento em anúncios pagos nos jornais de Michoacán que diziam que o grupo se propunha a defender o Estado de extorsões, sequestros e homicídios praticados pelos rivais.

Em sua primeira aparição pública, seus integrantes jogaram seis cabeças humanas na pista de dança, lotada, de um casa de festas.

No ano passado, o grupo apresentou os corpos de 12 policiais torturados e mortos.

Recentemente, o grupo fez uma espécie de consulta pública para decidir se abandonava ou não as armas.

A condição seria que o governo garantisse a paz em Michoacán, mas este respondeu que não negociaria com delinquentes.

Mas alguns analistas afirmam que o grupo perdeu força nos últimos anos e a consulta seria apenas uma medida de fachada para melhorar sua imagem.

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