Pobreza na América Latina cairá em 2010 e voltará a níveis pré-crise, diz Cepal

Favela da Rocinha
Image caption Pobreza caiu em países como o Brasil, Paraguai, Uruguai Argentina e Chile

A pobreza na maioria dos países da América Latina recuará em 2010 e voltará aos índices pré-crise mundial devido à recuperação econômica dessas nações, segundo um estudo divulgado nesta terça-feira pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).

Os dados fazem parte do Panorama Social da América Latina 2010, apresentado pela secretária executiva da Cepal, Alicia Bárcena, em Santiago, no Chile, sede da organização.

Segundo ela, este ano a pobreza diminuirá, em média, 1 ponto percentual e a indigência, 0,4 ponto percentual em relação a 2009, quando a região sentiu “o maior impacto da crise financeira internacional”.

“Os países da região mostram capacidade de recuperação das variáveis sociais que não tinham sido registradas em crises anteriores”, afirmou Bárcena. Para ela, existem motivos para acreditar que a região retomou seu caminho de redução da pobreza iniciado em 2003.

Na maioria dos nove países analisados no estudo, entre 2008 e 2009 a pobreza caiu. Um deles é o Brasil, onde a queda foi de 25,8% para 24,9%. No Paraguai, de 58,2% para 56%, no Uruguai de 14% para 10,7%, na Argentina de 21% para 11,3% e no Chile de 13,7% para 11,5%.

Desigualdade

No entanto, no mesmo período a pobreza subiu em países como Costa Rica, Equador e México. No documento, destaca-se que a combinação entre o aumento dos salários entre as famílias de baixa renda e as transferências públicas orientadas para amenizar o impacto da crise permitiu “reduzir a desigualdade na região”.

Apesar da crise, a distribuição de renda ficou estável em 2009 e o balanço, neste item, nos últimos sete anos continua sendo “positivo” na maioria dos países da América Latina. A pobreza, segundo a Cepal, ainda afeta mais as crianças e adolescentes do que outros setores da sociedade.

A expectativa, pelos cálculos da Cepal, é a de que 32,1% dos habitantes latino-americanos permaneçam em situação de pobreza e 12,9%, na indigência.

No total, seriam 180 milhões de pobres, dos quais 72 milhões na indigência. Os dados são, de acordo com a Cepal, similares aos de 2008.

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