Oposição egípcia desiste de disputar segundo turno das eleições parlamentares

Protesto no Egito/AFP
Image caption Ocorreram protestos em todo o país contra supostas fraudes

Os dois maiores grupos oposicionistas egípcios anunciaram nesta quarta-feira que estão se retirando do segundo turno das eleições parlamentares do país.

A Irmandade Muçulmana e o partido secular Wafd disseram que as eleições foram fraudadas a favor do partido NFD, do presidente Hosni Mubarak.

Um comunicado do Wafd diz que as eleições do último domingo foram marcadas por fraude e violência e descreveu o processo como “escandaloso”.

O NFD conquistou quase todos os assentos disputados no primeiro turno.

No entanto, o presidente da Comissão Eleitoral do país disse que o prazo para a retirada de candidaturas já foi esgotado e nenhum pedido de desistência seria aceito.

Representatividade

Oficialmente, a Irmandade Muçulmana é proibida, mas seus candidatos competem como independentes.

Eles não conseguiram conquistar nenhum assento no primeiro turno.

No último Parlamento, o grupo possuía 88 assentos e deveria concorrer a outros 20 no segundo turno, marcado para o próximo domingo.

O Wafd conquistou dois assentos e disputaria outros nove no segundo turno. O partido tinha 12 deputados no último Parlamento e acreditava-se que seria a maior força oposicionista.

Acusações

O correspondente da BBC no Cairo, Jon Leyne, diz que as desistências representariam um duro golpe para o governo egípcio, que insistia na lisura do primeiro turno.

Os Estados Unidos se disseram "decepcionados" com os relatos de interferência e intimidação por parte das Forças de Segurança egípcias. O Egito é considerado um aliado importante americano.

Após a votação do primeiro turno, a imprensa egípcia trouxe imagens e testemunhos de alegadas fraudes eleitorais. Vários protestos ocorreram desde então no país.

Cerca de 42 milhões eleitores podem votar no Egito, mas grupos de defesa dos direitos humanos sugerem que o comparecimento oscilou entre 10% e 15%.

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