Irã discute programa nuclear com potências ocidentais em Genebra

Instalação nuclear de Bushehr, no Irã
Image caption Irã alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos

Representantes do Irã e do P5+1 (grupo que reúne os cinco países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e mais a Alemanha) iniciaram nesta segunda-feira, em Genebra (Suíça), uma nova rodada de negociações para discutir o programa nuclear iraniano.

O mais importante negociador do programa nuclear iraniano, Saeed Jalili, se encontrou com a chefe de política exterior da União Europeia, Catherine Ashton, e autoridades de Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha.

Os Estados Unidos e seus aliados acusam o Irã de tentar produzir armas nucleares, o que o país nega. O governo iraniano alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos, para uso civil.

As negociações devem durar dois dias e analistas já antecipam que o melhor resultado que se pode esperar é apenas um acordo para a realização de mais reuniões.

Em maio deste ano, Brasil e Turquia mediaram com o Irã acordo que previa o envio de urânio pouco enriquecido para a capital turca, Ancara. O pacto chegou a ser aceito por Teerã, mas foi considerado insuficiente pelas potências negociadoras e, pouco depois, novas sanções contra Teerã foram aprovadas na ONU.

No último sábado, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que o acordo de maio seria uma boa base para a cooperação entre seu país e as potências mundiais, segundo informa a agência Fars.

Negociações "construtivas"

De acordo com fontes ouvidas pelo correspondente da BBC em Genebra James Reynolds, as negociações destes dois dias serão "construtivas e abrangentes", mas os envolvidos admitem que há falta de confiança de ambos os lados.

O correspondente da BBC afirma que Jalili e Ashton se encontraram para a foto oficial e depois iniciaram a reunião. Durante a primeira parte, a delegação iraniana discutiu os ataques ocorridos há duas semanas em Teerã contra dois cientistas nucleares iranianos.

O governo do Irã acusou agências secretas do ocidente de realizar os ataques. Ashton, por sua vez, condenou os episódios.

A última reunião em Genebra ocorreu em outubro de 2009 e parecia ter chegado a um acordo em que o Irã iria exportar urânio com baixo grau de enriquecimento para ser processado em outro país. Mas, depois disso, o Irã introduziu novas condições e o acordo fracassou.

Primeiro lote

A reunião desta segunda-feira também ocorre um dia depois de o Irã ter anunciado que enviou seu primeiro lote de urânio produzido no país a uma usina, que poderá deixá-lo pronto para enriquecimento.

O urânio enriquecido pode ser usado como combustível em reatores para a geração de energia ou utilizado para a fabricação de armamentos nucleares.

Acreditava-se que o Irã tinha pouco estoque de urânio concentrado, originalmente importado da África do Sul nos anos 1970.

O envio do primeiro lote foi comunicado pelo chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi. Nesta segunda-feira, Salehi também comentou a reunião em Genebra na televisão estatal iraniana e afirmou que as negociações visam beneficiar outros países, e não o Irã.

"Queremos criar uma solução diplomática para sair do impasse político para aqueles que nos pressionaram", afirmou.

A ONU já aplicou várias rodadas sucessivas de sanções contra o Irã depois de o país não cumprir com as resoluções do Conselho de Segurança, ordenando que o país suspendesse o enriquecimento de urânio.

O Conselho de Segurança afirma que, até que as intenções pacíficas do Irã possam ser comprovadas, o país deveria interromper o enriquecimento e outras atividades nucleares.

O Irã diz que, como signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, tem o direito de enriquecer urânio para a produção de energia de uso civil.

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