Para EUA, reconhecimento da Palestina pelo Brasil é 'contraproducente'

Jovem carrega bandeira da Palestina
Image caption Brasil reconheceu Estado palestino nas fronteiras anteriores a 1967

O Departamento de Estado americano disse nesta terça-feira que a decisão do Brasil e da Argentina de reconhecer o Estado palestino com as fronteiras existentes em 1967 é “contraproducente”.

“Nós não somos favoráveis a essa linha de ação”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, em entrevista coletiva em Washington.

“Como já dissemos muitas e muitas vezes, acreditamos que qualquer ação unilateral é contraproducente”, afirmou.

O porta-voz disse ainda que a “única maneira” de resolver questões centrais no processo de paz no Oriente Médio é por meio de negociações diretas entre palestinos e israelenses.

“Esse permanece sendo o nosso foco”, afirmou Crowley.

Reconhecimento

Na última sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, informando a decisão brasileira de reconhecer o Estado palestino nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967.

Esse território inclui a Cisjordânica, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias.

O reconhecimento brasileiro foi resposta a um pedido de Abbas, manifestado em carta enviada a Lula em novembro.

Na segunda-feira, foi a vez de o governo argentino anunciar o reconhecimento do Estado palestino.

A decisão dos dois governos foi saudada pelas autoridades palestinas, que disseram esperar que outros países da América Latina sigam o exemplo.

Até então, o Estado palestino era reconhecido somente por países da Ásia e da África.

O governo israelense manifestou “pesar e decepção” com a iniciativa do Brasil e da Argentina e disse que o reconhecimento prejudica o processo de paz.

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