Meio Ambiente

Ministra brasileira se diz otimista em reta final da reunião do clima

O secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, durante a reunião

Ban Ki Moon: negociação é 'maratona, não corrida de explosão'

Ainda sem um documento base para discutir, ministros e chefes de Estado de diversos países concluem nesta quarta-feira os tradicionais discursos de abertura do segmento de alto nível da reunião das Nações Unidas sobre mudança climática, em Cancún, no México.

A falta de um rascunho, no entanto, não é vista como sinal de fracasso. Pelo contrário, para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, a estratégia de intervenção de pares de países para encontrar soluções nos temas mais polêmicos vem dando resultados positivos.

"Minha impressão hoje é de que temos boas perspectivas. Precisamos trabalhar mais para saber qual vai ser a forma final dessas perspectivas, mas sinto que todos querem alcançar um compromisso político sobre um segundo período do Protocolo de Kyoto", afirmou Teixeira, acrescentando ter sentido a mesma sensação que teve durante a reunião das Nações Unidas sobre biodiversidade em Nagoya, considerada um sucesso.

Brasil e Grã-Bretanha vêm mantendo reuniões com diversas delegações para tentar resolver o impasse criado pela recusa do Japão - anunciada na semana passada - de assumir novas metas obrigatórias para o segundo período do Protocolo de Kyoto, que começa em 2013.

China x EUA

Outros pares discutem assuntos como o aferimento de metas que venham a ser assumidas pelos países em desenvolvimento - outro tema importante, uma vez que para os países industrializados este é um pré-requisito para a liberação de verbas.

Na terça-feira, a interpretação de uma entrevista dada pelo negociador-chefe chinês à agência de notícias Reuters levou alguns a dizer que "o jogo está virando".

Pela primeira vez, a China teria admitido assumir metas de cortes de emissão de gases do efeito estufa obrigatórias e não voluntárias.

No entanto, o chefe da delegação americana, Todd Stern, não se deixou impressionar.

"Não vejo nada de novo. Isso foi o Acordo de Copenhague. O que vejo é que disseram isso (que estipulariam as próprias metas autônomas) e que acrescentaram uma condição a isso, que os Estados Unidos assinem um acordo legalmente vinculante, o que não faz parte do acordo do ano passado", disse Stern.

Ministra Izabella Teixeira se diz otimista com possibilidade de acordo

"De certa maneira, acho que é um passo atrás."

'Jogo de cena'

Um experiente negociador afirmou, entretanto, acreditar que as duas partes já teriam chegado a um denominador comum sobre o assunto, mas que só anunciarão isso quando outros temas forem resolvidos.

Entre as outras matérias que ficarão para ministros resolverem estão formas de liberar fundos de emergência de US$ 30 bilhões por ano - prometidos também no Acordo de Copenhague - para os países mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Mesmo que estes assuntos sejam acordados durante a reunião de Cancún, o objetivo final do processo - um acordo obrigatório para cortar as emissões a partir de 2012 - ainda é um sonho distante.

O próprio secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon admitiu em seu discurso de abertura do segmento de alto nível que "essa é uma maratona, não uma corrida de explosão".

A expectativa é que, caso Cancún produza uma série de acordos gerais, no ano que vem, em Durban, na África do Sul, seja possível avançar rumo a um acordo legal.

Mesmo assim, segundo o negociador-chefe brasileiro, embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado, isso só aconteceria caso "a substância do documento faça jus".

"Não é uma boa ideia cristalizar um mau momento das negociações em um acordo legalmente vinculante."

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