Presidente palestino diz ver crise em negociações com Israel

O presidente palestino, Mahmoud Abbas (arquivo)
Image caption Líder palestino pediu a intervenção da União Europeia e dos EUA

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou nesta quarta-feira, durante visita à Grécia, que "não há dúvida de que há uma crise nas negociações com Israel", depois da decisão do governo americano de desistir de cobrar o congelamento dos assentamentos israelenses.

Abbas pediu a intervenção da União Europeia, "ao lado dos Estados Unidos", para levar à retomada das negociações.

Já o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, se mostrou otimista e disse, em uma reunião do gabinete, que, "em breve, será iniciado um processo de negociação mais rápido".

Netanyahu também informou aos ministros que seu emissário, Itzhak Molcho, se encontra em Washington para discutir o tema com representantes do governo americano.

"Os Estados Unidos abriram mão do congelamento (dos assentamentos) e agora buscam um novo rumo para as negociações", afirmou o primeiro-ministro israelense. Netanyahu acrescentou que, em breve, os palestinos também enviarão um emissário a Washington.

O porta-voz do presidente palestino, Nabil Abu Rodeina, declarou que o governo americano pediu a Abbas que envie um emissário para consultas em Washington, mas acrescentou que "os palestinos não tomarão medida alguma e não enviarão emissário algum sem a concordância dos países árabes".

O principal negociador palestino, Saeb Erekat, cobrou do governo americano que "reconheça agora" o Estado palestino nas fronteiras de 1967. De acordo com o negociador palestino, o reconhecimento dos Estados Unidos "é o passo necessário para preservar a solução de dois Estados".

Nova Intifada

Um dos lideres do Fatah, Mohamed Dahlan, declarou que, "sem um horizonte politico, poderá haver uma terceira Intifada".

"Não vejo perspectivas diplomáticas enquanto o governo de Netanyahu estiver no poder", afirmou. Dahlan sugeriu que a Autoridade Palestina condicione a coordenação militar com Israel a um avanço no processo de paz.

O presidente do Conselho da Judeia e Samaria, Dani Dayan, que lidera os colonos israelenses na Cisjordânia, elogiou o governo de Israel "por ter resistido de maneira honrosa" às pressões dos Estados Unidos pelo congelamento das construções nos assentamentos.

Nos últimos dois meses, o governo americano tentou convencer Israel a manter a moratória, prometendo um pacote de benefícios diplomáticos, militares e econômicos se o governo israelense concordasse em congelar a construção dos assentamentos por mais três meses.

O presidente Abbas suspendeu as negociações diretas com Israel, que haviam sido retomadas no inicio de setembro, quando o primeiro-ministro Netanyahu se recusou prolongar o congelamento, em 26 de setembro.

O ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, pediu que as grandes potências mundiais pressionem Israel e os palestinos a estabelecer um prazo para a fundação de um Estado palestino independente, "antes que a solução de dois Estados se torne inviável".

De acordo com o chanceler egipcio, nesse caso, "só restarão três opções: um Estado binacional, a ocupação (israelense) ou um apartheid".

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