Pelo 2º ano consecutivo, Brasil leva maior delegação para reunião do clima

Encontro do clima no México
Image caption Brasil levou quase 600 pessoas para o encontro

Pelo segundo ano consecutivo, a delegação brasileira na reunião anual sobre mudança climática é disparada a maior de todas, com quase três vezes mais gente do que a segunda maior, de acordo com dados preliminares da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática (UNFCCC).

Foram 591 cadastrados pelo Brasil, segundo o informe preliminar da organização. Destes, cerca de 20 atuam como negociadores do país.

A segunda maior delegação, da África do Sul - país que vai sediar o próximo encontro climático - tem 199.

Os dados consolidados sobre quantos dos cadastrados retiraram as suas credenciais só serão anunciados no fim do encontro, na sexta-feira.

O Itamaraty informou que apenas solicita o credenciamento à UNFCCC, sem se responsabilizar pelos custos. O objetivo é permitir uma representação "inclusiva" da sociedade brasileira, segundo o órgão.

De brasileiros para brasileiros

A lista total de solicitações apresentada à UNFCCC para o evento em Cancún foi de 731 pessoas, segundo o Itamaraty.

Com tantos credenciados, não é difícil esbarrar em brasileiros nos corredores dos locais da conferência do clima.

Mas é no Espaço Brasil - um centro multimídia montado pelo governo que tem como principal atração uma visita virtual à Amazônia, que se percebe com mais nitidez o número de compatriotas presentes no México.

Com uma vasta lista de eventos diários, o pavilhão montado para divulgar informações sobre o Brasil no exterior acaba atraindo mais brasileiros que estrangeiros.

A própria pesquisadora da Coppe/UFRJ e ex-secretária nacional de Mudanças Climáticas Suzana Kahn Ribeiro comentou o fenômeno na rede social Twitter.

"A maioria das reuniões no Espaço Brasil em Cancún é de brasileiros para brasileiros. Quase todos já se conhecem. Não vejo muito sentido."

Em um destes eventos, a organização chegou a perguntar se era necessário haver tradução, uma vez que todos na plateia eram brasileiros.

ONGs na delegação

A lista de nomes enviada pelo governo brasileiro à UNFCCC tem mais de 11 páginas e inclui até representantes de organizações não-governamentais como WWF e Conservação Internacional, que normalmente pedem credenciamento diretamente à organização.

Além do de representantes de várias esferas de governo, entram na lista empresários, procuradores, pesquisadores e empreiteiros.

No ano passado, em Copenhague, o Brasil também ocupou a primeira posição na lista de delegações mais inchadas, com 572 "representantes", seguido pela Dinamarca, o país-sede, com 527, e China, com 333 pessoas.

O aumento do interesse nas reuniões climáticas da ONU pode ser visto pelo salto no número de credenciados.

Nos primeiros encontros, o número total não chegava a 10 mil pessoas, e foi caindo anualmente até a reunião de Nairóbi, em 2006. De lá para cá, houve um grande aumento no interesse.

Copenhague recebeu cerca de 18 mil pessoas e os dados preliminares para Cancún indicam que o número de participantes também passa de 15 mil.

COLABOROU: Fabrícia Peixoto, de Brasília

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