Mantega já fala em crescimento de 8% do PIB para este ano

PIB do Brasil cresceu 0,5% no 3º trimestre, na comparação com o 2º trimestre.
Image caption Ministro da Fazenda diz querer fechar ano com "chave de ouro"

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quinta-feira que a economia brasileira poderá ter um crescimento próximo de 8% este ano. Até então, o ministro falava em uma expansão de 7,5%.

“Já temos assegurado 7,5%, mas devemos crescer mais de 8% para fechar com chave de ouro”, disse o ministro, durante um evento em Brasília.

De acordo com dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% no 3º trimestre, na comparação com o 2º trimestre.

Na hipótese de não haver expansão no 4º trimestre – o que é improvável, segundo analistas – a alta de 7,5% já estaria garantida. Por isso, muitos economistas já falam em um crescimento anual próximo de 8%.

‘Equilíbrio’

O analista-sênior para América Latina da Economist Intelligence Unit, Robert Wood, lembra que o crescimento de 8% não reflete mais o “cenário atual” da economia brasileira.

“Esse valor está sendo influenciado pelo alto crescimento do primeiro semestre, o que já não reflete mais a realidade econômica do país”, diz.

Segundo ele, o importante agora é olhar para a “velocidade atual”. “Nesse contexto, a expansão do PIB está em torno de 5%, o que é compatível com o potencial do país”, diz.

De acordo com Mantega, o país deverá crescer 5% em 2011, resultado que provavelmente se repetirá nos próximos três anos.

Por meio de nota, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que os números do IBGE “confirmam o diagnóstico do BC de que a economia brasileira se desloca para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo”.

“O fato de o investimento seguir apresentando desempenho bastante positivo indica que o bom momento da economia deve prosseguir ao longo dos próximos trimestres”, conclui Meirelles, segundo o comunicado.

Acomodação

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 6,7%.

Segundo analistas, esse resultado coloca o país em um patamar mais “realista”, ou seja, compatível com seu potencial de expansão.

“Estamos vendo uma convergência dos indicadores para os padrões do país, de acordo com sua capacidade produtiva”, diz Alex Agostini, economista-chefe da agência de risco Austin Rating.

Quando projetado para todo o ano, o crescimento do PIB no trimestre representa uma expansão anual de 6,1%, número mais compatível com o potencial de crescimento do país, que varia de 4,5% a 5%, segundo economistas.

O crescimento acima do potencial no primeiro semestre, quando a economia se expandiu a um ritmo anualizado de 8%, é apontado como um dos motivos da pressão inflacionária.

Em novembro, a inflação oficial do país (IPCA) fechou em 0,83%, o maior índice para este mês desde 2002.

“O fato de termos tido um crescimento menor do PIB no trimestre era desejável. Reflete um crescimento equilibrado”, diz Agostini.

O economista Rogério Sobreira, da FGV-Rio, diz que o PIB mais moderado no trimestre deixa o Brasil em uma situação confortável, sobretudo quando comparado com outras economias, mas que isso “não livra” o país de certas preocupações.

“A principal delas e mais evidente é a inflação, mas temos ainda questões fiscais a serem resolvidas”, diz o professor.

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