Direitos Humanos

Comitê do Nobel da Paz pede libertação de ativista chinês premiado

A cadeira vazia destinada a Liu Xiaobo, durante a cerimônia do Nobel

Uma cadeira vazia representou o ativista chinês Liu Xiaobo, vencedor do Nobel da Paz deste ano, durante a entrega da premiação em Oslo, nesta sexta-feira.

A ausência do principal homenageado - ou de algum de seus parentes próximos - marcou a cerimônia realizada na capital da Noruega.

Liu, de 54 anos, que cumpre pena em uma prisão no nordeste da China, recebeu por diversas vezes aplausos da plateia.

Durante a cerimônia, o presidente do comitê Nobel, Thorbjorn Jagland, fez um apelo para que a China liberte o ativista.

"O comitê Nobel sempre acreditou que existe uma conexão próxima entre direitos humanos e paz", disse Jagland no início da cerimônia. "Lamentamos que o homenageado não esteja presente."

Às vésperas da cerimônia de entrega, o governo da China deteve e restringiu liberdades de amigos, aliados e simpatizantes do ativista. A mulher do dissidente, Liu Xia, está em regime de prisão domiciliar.

Nas últimas semanas, a China tem realizado uma ampla campanha contra a concessão do prêmio a Liu. A ONU diz ter relatos de que o governo chinês deteve pelo menos 20 ativistas, além de tentar impedir o trabalho da mídia ocidental.

Também foram noticiados pelo menos 120 casos de prisão domiciliar, restrições a viagens, cortes de acesso a telefone e internet, realocação forçada de pessoas e outros atos tidos como tentativas de intimidação por parte da China.

Guardas

O repórter da BBC em Pequim Damian Grammaticas, que está em frente à casa de Liu, afirma que guardas uniformizados e à paisana estão fazendo a guarda da residência.

Thorbjorn Jagland disse que, com 1,3 bilhão de habitantes, ou cerca de um quinto da população do planeta, a China "tem em seus ombros o destino da humanidade" e da democracia global.

"Se o país se mostrar capaz de desenvolver uma sociedade civil com direitos plenos, isso será positivo para a sociedade", afirmou o presidente do comitê do Nobel. Se não, ele disse, "as consequências serão negativas para todos nós".

Mais adiante, ele pediu ao governo chinês: "Liu deve ser libertado". Em reação, a plateia aplaudiu mais uma vez, desta vez de pé, o dissidente.

Ao fim do discurso, o diploma da premiação foi colocado sobre a cadeira que deveria ter sido ocupada pelo dissidente ou seu representante. Foi a primeira vez desde 1936 que o prêmio Nobel da Paz, no valor de US$ 1,5 milhão, não foi entregue pessoalmente.

Pressão

Antes da cerimônia, quase um terço dos cerca de 50 países convidados havia dito que não compareceria à entrega do Nobel, entre eles, Rússia, Arábia Saudita e Paquistão. Muitas das ausências são consideradas um resultado da pressão do governo chinês.

A Sérvia, após ter comunicado que não participaria, voltou atrás após pressão da União Europeia (UE) e de grupos políticos internos.

Mais cedo, os Estados Unidos haviam divulgado uma nota na qual o presidente Barack Obama lamentava a ausência de Liu e de sua esposa na cerimônia em Oslo.

A mulher do dissidente, Liu Xia, está no local, em regime de prisão domiciliar.

Liu Xiaobo cumpre pena de 11 anos de prisão por incitar subversão

"Os Estados Unidos respeitam a cultura e as tradições únicas dos diferentes países. Respeitamos o sucesso extraordinário da China em tirar milhões de pessoas da pobreza e acreditamos que os direitos humanos incluem a dignidade que vem com a liberdade de escolha", diz a nota.

"Mas Liu nos recorda daquela dignidade humana que também depende do avanço da democracia, da sociedade aberta e do Estado de Direito. Os valores que ele representa são universais, a sua luta, pacífica, e ele deve ser libertado o quanto antes."

Liu Xiaobo, 54 anos, foi preso em dezembro de 2009 devido a sua participação no manifesto Carta 08, que pedia mudanças políticas no país.

O manifesto, assinado por 300 acadêmicos, artistas, advogados e ativistas, pedia uma nova Constituição, um poder judiciário independente e liberdade de expressão. Liu cumpre pena de 11 anos, sob a acusação de "subverter o poder".

Antes disto, o Nobel da Paz já havia sido preso por participação nos famosos protestos da Praça da Praz Celestial em Pequim, em 1989, e por criticar em público o sistema político de partido único chinês.

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