Assange é libertado sob fiança na Grã-Bretanha

Julian Assange ao ser libertado
Image caption Assange disse que vai continuar o seu trabalho

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, foi solto sob fiança nesta quinta-feira, após ficar nove dias preso na Grã-Bretanha por acusações de crimes sexuais supostamente cometidos na Suécia.

A libertação de Assange havia sido confirmada na manhã desta quinta-feira pela Justiça britânica, que negou recurso apresentado na última terça-feira contra a libertação do ativista australiano.

Em entrevista coletiva após ser solto, o ativista prometeu continuar o seu trabalho e voltou a alegar inocência.

Ele agradeceu a "todas as pessoas no mundo que acreditaram" nele, a seus advogados e ao sistema judicial britânico.

A questão de quem apresentou na última terça-feira o recurso contra a libertação sob fiança de Assange permanecia obscura na tarde desta quinta.

De um lado, um porta-voz da Procuradoria da Coroa britânica disse estar “atuando como um agente para o governo sueco no caso Assange” e afirmou que uma autoridade sueca “confirmou nesta manhã que apoiava plenamente o recurso”.

No entanto, pouco antes, a Procuradoria sueca havia declarado que não era responsável pelo recurso contra a libertação e que a questão "era puramente uma decisão britânica".

Em entrevista coletiva, Mark Stephens, advogado de Assange, disse que não sabe quem apresentou o recurso. "Nos disseram que tinham sido os suecos, mas eles negaram. A promotoria (britânica) também negou. Precisamos nos perguntar quem foi, talvez essa pergunta seja respondida nos próximos dias."

Monitoramento

O dinheiro da fiança estabelecida previamente – 240 mil libras (cerca de R$ 640 mil) – já havia sido obtido com apoiadores do fundador do WikiLeaks, de acordo com Stephens.

Sob as condições da fiança que haviam sido estabelecidas previamente, Assange deve ser monitorado eletronicamente. Ele ficará abrigado em uma casa de campo no leste da Inglaterra e terá de reportar-se à polícia diariamente.

A casa de campo - na verdade uma mansão de dez quartos - pertence a Vaughan Smith, apoiador de Assange, ex-oficial do Exército britânico e fundador do Frontline, um grupo que se apresenta como defensor do jornalismo independente.

O site de Assange recentemente despertou a ira dos Estados Unidos ao divulgar cerca de 250 mil telegramas diplomáticos do país.

Acusações

Os supostos crimes teriam sido cometidos na Suécia. Assange nega as acusações e alega que elas têm motivação política.

Na terça-feira, a advogada Gemma Lindfield, atuando em nome da polícia sueca, disse que uma das supostas vítimas acusa Assange de tê-la forçado a fazer sexo com ele sem camisinha.

A mesma mulher acusa Assange de, alguns dias após o incidente, tê-la molestado de forma a "violar sua integridade sexual".

Uma segunda mulher acusa Assange de ter feito sexo com ela, também sem preservativo, enquanto ela dormia, em Estocolmo. Na Suécia, este tipo de crime pode levar a condenações de até seis anos de prisão.

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