Lula critica EUA e afirma que Brasil tem de alavancar demais países sul-americanos

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Image caption Lula participou de encontro com movimentos sociais da América do Sul, em Itaipu

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira que o Brasil precisa alavancar os demais países da América do Sul, elogiou os avanços no Mercosul e criticou os Estados Unidos e a União Europeia (UE) pela postura adotada diante de nações parceiras.

"Um país como o Brasil tem que assumir a responsabilidade, como a maior economia desse continente, de criar as condições para os países menores economicamente se sentirem confortáveis na relação com o Brasil", afirmou Lula no encerramento da Cúpula Social do Mercosul, que reuniu movimentos sociais da região em um evento no complexo da usina hidrelétrica de Itaipu.

"Isto não é bondade. É apenas a compreensão de que a paz nesta parte do mundo, que a paz neste continente, não tem preço", disse o presidente, que participa nesta sexta-feira, em Foz do Iguaçu (PR), da 40ª Cúpula do Mercosul.

Lula criticou a Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que abrange 34 países da região e foi reprovada pelo PT à época de sua criação. Para ele, com a proposta da Alca, os Estados Unidos não queriam fazer um acordo com a América do Sul, e sim com o Brasil, que é a maior economia sul-americana.

"A gente se perguntava, 'será que os Estados Unidos vão fazer com a América do Sul o que a União Europeia fez com os países pobres, como Grécia, Espanha e Portugal? Eles vão pedir dinheiro para alavancar o desenvolvimento de infraestrutura? Ele vai ajudar no desenvolvimento tecnológico? Ele vai colocar dinheiro para tornar os países mais iguais?' Não", disse o presidente.

‘Sectários’

"Isso por si só fazia com que nós radicalizássemos e fossemos contra a Alca", afirmou Lula. Para ele, as pessoas que foram contra o bloco americano são pessoas que se poderia chamar de "sectários" e "esquerdistas" - e eram, segundo o presidente, padres, sindicalistas e sem-terra, entre outros.

"Hoje a gente olha para a União Europeia, a gente olha para os países ricos, e percebe como seria bom se eles olhassem para nós e vissem como nós conseguimos fazer do Mercosul um centro de crescimento extraordinário".

O presidente admitiu, no entanto, que o Mercosul ainda tem o que avançar. "Ainda falta muito. Não conquistamos tudo, eu sei que ainda tem muitas críticas, mas é importante saber onde a gente estava e onde a gente chegou."

Lula aproveitou o discurso para elogiar a sua sucessora, Dilma Rousseff. "Ela vai ser igual ou melhor do que qualquer um de nós aqui, porque ela tem na sua origem um sonho de conquista da democracia", disse.

Jantar

Depois do discurso, Lula ofereceu um jantar aos chefes de Estado presentes à cúpula, que foi realizado no mirante da usina.

Dilma iria comparecer ao evento, mas cancelou sua participação. Segundo a assessoria da equipe de transição, ela decidiu não viajar a Foz do Igaçu para finalizar a formação do seu ministério.

A plenária dos presidentes dos países do Mercosul está marcada para a manhã desta sexta-feira, em Foz do Iguaçu. Este será o último evento internacional de Lula em seu mandato.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não participará da reunião de sexta-feira, por conta do trabalho de ajuda às vítimas de enchente em seu país.

Decisões da Cúpula

Nesta quinta, os chanceleres dos países-membros do Mercosul definiram uma série de acordos. Entre eles, está a adoção de uma placa comum para veículos de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai e a criação do cargo de alto-representante do Mercosul, com funções de articulação política e representação do bloco.

Também foi aprovado um acordo que permite a prisão de pessoas procuradas pela Justiça nos territórios dos quatro países. Os chanceleres assinaram ainda pré-acordos com a Síria e com a Autoridade Nacional Palestina, que podem levar à criação de zonas de livre comércio entre estes países e o Mercosul.

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