'ONU precisa de técnico competente, não de político forte', diz Lula

Lula em encontro do Mercosul (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
Image caption Presidente disse que pode 'contribuir sem cargo' com as Nações Unidas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a "ONU precisa de um técnico competente, não de um político forte", em resposta à possibilidade de que poderia, após o fim de seu mandato, ocupar o mais alto cargo nas Nações Unidas.

A declaração de Lula, em entrevista coletiva após a plenária da 40ª Cúpula do Mercosul, foi uma reação ao pedido do presidente boliviano, Evo Morales, para que o brasileiro se torne secretário-geral da ONU.

"Ser secretário-geral é algo que não se reivindica, não se pede, não se articula", respondeu Lula, acrescentando que a entrada de políticos no comando da ONU poderia, na opinião do presidente, abrir a possibilidade de os Estados Unidos "dominarem" tanto o Conselho de Segurança como as demais esferas das Nações Unidas.

"Posso contribuir sem cargo, só preciso de motivação", afirmou Lula. "Não vou pendurar as chuteiras, vou continuar fazendo política."

"Senhor Mercosul"

Após defender o Mercosul, alegando que o bloco contrasta com a "paralisia" e a "estagnação" das economias centrais do mundo, Lula também relevou os entraves comerciais e as sobretaxas cobradas entre os países do bloco regional.

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"O Mercosul não é um convento, um encontro de freiras. É uma reunião entre chefes de Estado de países soberanos, que sempre terão divergências. Não acho que (as divergências) sejam um problema, são a razão para a existência do Mercosul."

Lula também negou que vá indicar o atual ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para o cargo de alto-representante do Mercosul - cuja criação foi aprovada durante a Cúpula de Foz do Iguaçu.

O presidente disse que o Paraguai deve cumprir tranquilamente a sua presidência temporária do bloco, sem sofrer pressões para o preenchimento de cargos.

Na mesma entrevista, o presidente do Uruguai, José Mujica, chamou Lula de "senhor Mercosul" e elogiou o colega brasileiro por seus esforços em revitalizar o bloco econômico.

"Temos que sair da época de ficarmos uns de costas para os outros", disse Mujica, que defendeu ainda a integração entre os países parceiros na área acadêmica, para que eles deixem de ser "tributários a Sorbonne e Harvard".

Já o presidente paraguaio, Fernando Lugo, disse aos jornalistas que não existe processo de integração "quimicamente puro". "Não fechamos olhos e ouvidos a problemas de integração", afirmou Lugo.

Para o líder paraguaio, no entanto, o Mercosul não olha mais apenas para si mesmo, mas também visa a integração de novos membros e negociações com outros grupos regionais.

A cúpula de Foz do Iguaçu foi o último evento internacional de Lula antes de passar a Presidência a Dilma Rousseff, em 1º de janeiro. Depois da reunião, Lula seguiu para Brasília, a fim de acompanhar a diplomação da presidente eleita.

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