Coreia do Sul realiza exercícios militares em meio a tensão

Militares sul-coreanos em patrulha na ilha Yeonpyeong
Image caption Forte nevoeiro atrasou o início dos exercícios em Yeonpyeong

O Exército da Coreia do Sul começou nesta segunda-feira a realização de exercícios militares com artilharia real na ilha Yeonpyeong, perto da fronteira com a Coreia do Norte, em meio ao elevamento da tensão na região.

Os exercícios sul-coreanos acontecem apesar das repetidas ameaças de retaliação feitas pelo governo norte-coreano.

Quatro pessoas morreram no mês passado em consequência do bombardeio da ilha de Yeonpyeong pela Coreia do Norte.

O Conselho de Segurança da ONU discutiu a tensão entre as Coreias neste domingo em Nova York, mas não chegou a um acordo após oito horas de debates.

A tensão entre as Coreias ameaçava dividir os membros permanentes do Conselho de Segurança, com a China e a Rússia pedindo à Coreia do Sul que suspendesse os exercícios, mas com os Estados Unidos afirmando que seu aliado tem o direito de garantir que “está devidamente preparado diante das contínuas provocações”.

A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, disse que é “seguro prever que é pouco provável que as diferenças que permanecem sejam resolvidas”.

A Rússia pediu à Coreia do Sul que cancelasse os exercícios. “É melhor se abster de fazer esse exercício neste momento”, afirmou o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin.

Ele disse que a ONU havia fracassado em alcançar um acordo sobre a crise, mas que novos contatos seriam tentados entre as grandes potências para discutir a questão.

Refúgio

O governo sul-coreano ordenou aos moradores da ilha de Yeonpyeong que se refugiassem em abrigos antiaéreos nesta segunda-feira, antes do início dos exercícios na região.

O intenso nevoeiro na área atrasou o início dos exercícios, que tinham previsão de duração de duas horas.

A Coreia do Norte prometeu retaliar se o governo sul-coreano prosseguisse com os exercícios em Yeonpyeong, que está próxima à fronteira marítima em disputa entre os dois países e pode ser vista do território norte-coreano.

O governo norte-coreano afirmou que dará “um golpe de autodefesa imprevisível” nos sul-coreanos, “mais mortífero” do que os ataques do dia 23 de novembro durante exercícios militares semelhantes.

A Coreia do Sul, por sua vez, afirmou que vai lidar “de forma imediata e com firmeza” em reação a qualquer resposta norte-coreana, segundo um oficial do Comando Conjunto das Forças Armadas.

Um enviado americano não oficial – o governador do Novo México, Bill Richardson, está na Coreia do Norte e manteve vários encontros com altas autoridades do país.

Segundo ele afirmou à TV CNN, a situação “é muito, muito tensa, uma situação de crise”.

Após uma reunião com o general norte-coreano Pak Rim-su, que lidera as forças do país ao longo da fronteira com a Coreia do Sul, Richardson afirmou que o encontro foi “muito duro”, mas que “algum progresso” foi alcançado.

“Eles disseram que haveria uma resposta, mas ao mesmo tempo esperam que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU possa acalmar a situação”, afirmou o governador americano.

“Estava muito claro que eles estavam muito preocupados com os potenciais exercícios”, disse.

Richardson sugeriu uma linha de comunicação militar direta para lidar com os incidentes ao longo da fronteira entre as duas Coreias.

Estados Unidos

A correspondente da BBC em Washington Jane O’Brien disse que o governo do presidente Barack Obama está em uma posição difícil, já que os Estados Unidos têm 28 mil soldados estacionados na Coreia do Sul e seriam certamente envolvidos na disputa se as hostilidades crescerem.

Os Estados Unidos andam sobre uma corda bamba diplomática, tentando evitar uma opção mais conflituosa e ao mesmo tempo permanecer como um forte aliado do governo sul-coreano.

As Forças Armadas sul-coreanas afirmam que a artilharia em Yeonpyeong será dirigida para o sudoeste, na direção contrária à Coreia do Norte, para os exercícios.

Mas a Coreia do Norte alega que qualquer tiro de artilharia cairia inevitavelmente em suas águas territoriais.

A ilha de Yeonpyeong tem 1.300 moradores, ao lado de centenas de militares, mas a maioria dos civis fugiu após o bombardeio do mês passado, reduzindo a população civil a cerca de cem pessoas.

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