Ex-ditador argentino é condenado à prisão perpétua

Videla
Image caption Videla foi acusado de sequestrar, torturar e fuzilar presos político

A justiça federal argentina condenou nesta quarta-feira o ex-ditador argentino Jorge Rafael Videla (1976-1981) à prisão perpétua por crime contra a humanidade, após julgamento que durou seis meses, na província de Córdoba.

Videla, de 85 anos, deverá cumprir a pena numa cadeia comum. Ele foi julgado com outros 30 acusados de repressão, entre militares, policiais e carcereiros. No total, 13 receberam prisão perpétua.

Eles foram acusados de terem sequestrado, torturado e fuzilado 31 presos políticos, na cidade de Córdoba, em 1976. O juiz Jaime Diaz Gavier considerou Videla o “mentor” do caso.

Com o ex-ditador, também foi condenado também à perpétua o ex-chefe militar de seu governo, Luciano Menéndez.

Na véspera, Videla fez um discurso em defesa da repressão, mostrado pelas emissoras de televisão argentinas. “Para mim, não foi uma guerra suja, mas uma guerra justa”.

Desaparecidos

Organizações de direitos humanos afirmam que cerca de 30 mil pessoas desapareceram durante o regime militar argentino, que terminou em 1983. Segundo a Conadep (Comissão Nacional sobre Desaparecimento de Pessoas), pelo menos 10 mil pessoas desapareceram naqueles anos turbulentos no país.

Enquanto o juiz lia as sentenças, familiares das vítimas e representantes de organizações de direitos humanos aplaudiam e gritavam.

Videla e outros integrantes da Junta Militar que governou o país foram julgados e condenados em 1985.

No entanto, cinco anos depois, eles foram anistiados no governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999).

Em 2003, o Congresso Nacional anulou a anistia chamada de “Lei de Obediência Devida e Ponto Final” e em 2010 mais de 60 ex-militares foram condenados por crimes cometidos durante a ditadura argentina.

Estima-se que, na Justiça Federal, pelo menos outros 600 estariam esperando decisão judicial.

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