Coreia do Norte se diz pronta para 'guerra sagrada por justiça'

O líder norte-coreano Kim Jong-il, acompanhado por auxiliares
Image caption Coreia do Norte acusa vizinhos de instigar guerra com exercícios

O ministro das Forças Armadas da Coreia do Norte afirmou nesta quinta-feira que seu país está pronto para uma "guerra sagrada por justiça" com a utilização de sua estratégia nuclear.

Kim Yong-chun disse que os exercícios militares conduzidos pela Coreia do Sul perto da fronteira entre os dois países são a preparação para uma guerra com a Coreia do Norte.

Os exercícios foram um dos maiores da história da Coreia do Sul, envolvendo tanques, helicópteros e caças.

A tensão vem crescendo na região desde o bombardeio da ilha sul-coreana de Yeonpyeong pela Coreia do Norte no mês passado, com um saldo de quatro mortos.

O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, prometeu retaliação imediata em caso de qualquer novo ataque norte-coreano.

O Exército sul-coreano admitiu que as manobras desta quinta-feira tiveram como objetivo mostrar o poder de fogo do país.

A Coreia do Sul já realizou 47 exercícios militares neste ano, mas este foi o maior já realizado pelo país em terra com artilharia real.

Retaliação

A Coreia do Norte classificou os exercícios como "instigação à guerra", mas até agora não anunciou nenhuma medida formal de retaliação contra o Sul.

O ministro Kim Yong-chun, citado pela agência de notícias oficial norte-coreana, acusou a Coreia do Sul de se preparar para uma nova guerra.

"As forças fantoches sul-coreanas perpetraram uma provocação militar grave ao renovar seus ataques contra a República Democrática Popular da Coreia durante seus recentes exercícios para uma guerra de agressão no Mar Ocidental (Mar Amarelo) da Coreia", disse.

"Isso indica que o cenário do inimigo para agressão com o objetivo de iniciar outra Guerra da Coreia alcançou sua fase de implementação", acrescentou.

"As Forças Armadas revolucionárias da República Democrática Popular da Coreia estão se preparando por completo para lançar uma guerra sagrada por justiça de estilo coreano baseada no uso da estratégia nuclear a qualquer momento necessário para lidar com as ações dos inimigos que pressionam deliberadamente a situação para a beira de uma guerra", completou o ministro.

A China e a Rússia já pediram à Coreia do Sul que reduza as tensões, e as autoridades americanas também estão expressando suas preocupações em conversas privadas sobre a nova postura sul-coreana, mais agressiva.

Mesa de negociações

A Coreia do Sul e os Estados Unidos já vinham realizando exercícios militares conjuntos de larga escala, desde o alegado ataque a um navio de guerra sul-coreano pela Coreia do Norte, que provocou a morte de 46 marinheiros sul-coreanos.

Os esforços para levar a questão coreana de volta à mesa de negociações vêm se mostrando infrutíferos.

A China e a Coreia do Norte dizem que chegou a hora do retorno das negociações sobre o programa nuclear norte-coreano.

Mas os Estados Unidos, a Coreia do Sul e o Japão dizem que não retomarão as negociações, que no passado envolveram recompensas para à Coreia do Norte pela suspensão de seu programa nuclear.

A Coreia do Norte havia abandonado as negociações em abril de 2009 e expulsou os inspetores nucleares da ONU do seu território.