Bloco regional ameaça ‘usar força’ na Costa do Marfim

Laurent Gbagbo
Image caption Gbagbo não aceitou a derrota nas eleições de novebro

Um comunicado do bloco de nações oeste-africanas (Ecowas) ameaçou nesta sexta-feira usar "força legítima" se o presidente Laurent Gbagbo se recusar a deixar o cargo e aceitar a derrota para o oposicionista Alassane Ouattara.

"No caso de o sr. Gbagbo não atender as exigências da Ecowas, a comunidade não terá alternativas a não ser adotar medidas, incluindo o uso de força legítima, para atingir os objetivos da população da Costa do Marfim", disse o comunicado, emitido ao fim do encontro de emergência que foi convocado para discutir a crise no país.

A Ecowas e outras entidades internacionais reconheceram a vitória de Outtara nas eleições do mês passado.

Após o encontro da Ecowas em Abuja, Nigéria, a entidade disse que enviaria um representante à Costa do Marfim para encontrar Gbagbo.

Missões de paz

O chanceler nigeriano rejeitou a possibilidade de um governo de unidade envolvendo os dois rivais, nos moldes dos criados no Zimbábue e no Quênia após eleições contestadas.

O presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, que também acumula a chefia da Ecowas, já havia escrito a Gbagbo oferecendo-lhe asilo político.

Há rumores de que a entidade poderia enviar tropas para se juntar aos cerca de 10 mil soldados da ONU na Costa do Marfim.

Image caption Soldados da ONU protegem o hotel onde está Ouattara

A Ecowas já enviou missões de paz, na década de 1990, à Libéria e Serra Leoa.

Hotel

Na quinta-feira, a TV estatal, uma das principais ferramentas de Gbagbo para manter-se no poder, foi tirada do ar em áreas fora da cidade de Abidijan, a maior do país.

Ouattara e seus simpatizantes estão isolados em um hotel no centro de Abidijan, protegidos pelas tropas de paz da ONU.

Ele agradeceu o apoio que vem recebendo da comunidade internacional e alertou para violações dos direitos humanos que vêm ocorrendo no país por parte do atual governo.

As eleições de novembro tinham o objetivo de unir o país, após a guerra civil de 2002 dividiu o país, o maior produtor mundial de cacau, em dois.

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