Nordestinos vivem clima de otimismo após Era Lula

Empresário pretende abrir loja de suplementos alimentares.
Image caption Francisco de Souza deixou São Paulo e voltou para o Ceará

Região onde nasceu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Nordeste experimentou durante os oito anos de seu mandato uma melhoria nas condições de vida de seus habitantes e vê antigos migrantes voltando para casa, embora a pobreza ainda seja uma realidade para muitos.

Depois de morar em São Paulo por 17 anos, fugindo da pobreza extrema, o empresário Francisco de Souza voltou para sua cidade natal de Tianguá, no Ceará.

"Quando eu fui para São Paulo, eu nem tinha sapatos para calçar", ele lembra. "Agora estou de volta para casa como dono de três casas, com meu carro, com dinheiro para começar um pequeno negócio e com uma bela família".

Ele vê semelhança entre a sua trajetória e a do presidente. "Nós dois começamos sem nada e conseguimos muito nas nossas vidas", afirma.

Souza afirma que seu plano sempre foi voltar a Tianguá. Ele pretende abrir a primeira loja de suplementos alimentares para atletas em sua cidade.

Shopping em Garanhuns

Já a cidade de Garanhuns, em Pernambuco, de onde a família de Lula saiu nos anos 1950 devido à falta de oportunidades, está prestes a ganhar o seu primeiro shopping center.

"O novo shopping é a prova de que a nossa região está se desenvolvendo e que investidores acreditam que o crescimento econômico veio para ficar", afirma o secretário de Desenvolvimento de Garanhuns, Ornilo Lundgren Filho.

Na feira de Garanhuns, onde agricultores e moradores se reúnem todo sábado para fazer negócios e conversar, o clima é de otimismo.

"Eu tenho 66 anos e lhe digo que o governo de Lula é o melhor que eu vi na vida, e eu não digo isto só porque nós somos da mesma cidade. Houve mudanças em todo o país", diz Luis Silva, natural de Caetés (PE).

Caetés era um distrito de Garanhuns quando Lula nasceu, mas ganhou sua emancipação anos depois. Hoje, as duas cidades reivindicam o título de cidade-natal do presidente.

Aldeia sem luz

Apesar do otimismo na região, a realidade é mais dura em uma comunidade indígena xucuru, distante apenas duas horas de carro de Garanhuns. Lá, 50 famílias vivem em um local que não tem energia elétrica, embora linhas de transmissão passem por cima da aldeia.

Quase todos os adultos na localidade são analfabetos, e a única escola da aldeia foi inaugurada há dois anos, por um grupo de missionários.

"Nós nem sabíamos que essas pessoas estavam ali até que fomos alertados pelos missionários", afirma o engenheiro Humberto Pessoa, responsável por conectar as comunidades locais à rede elétrica, dentro do programa federal Luz Para Todos.

"Quando a luz chegar aqui, será o primeiro sinal de presença do Estado nesta comunidade", diz Pessoa.

Herança

Embora tenha tirado cerca de 30 milhões de pessoas da miséria extrema desde o início de seu governo, em 2003, o sucesso de Lula é creditado por muitos de seus críticos – além de vários aliados - à estabilidade econômica obtida por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

A inflação chegava a picos de 3.000% ao ano quando FHC, enquanto ministro da Fazenda, implementou com sucesso o Plano Real, em 1994, controlando os preços.

"Por causa daquele plano, ele venceu as eleições presidenciais e iniciou uma série de reformas", diz o cientista político Bolívar Lamounier, amigo pessoal do ex-presidente.

"O legado de Lula é certamente considerável. A expansão dos programas sociais de governo foram a sua grande realização", diz Lamounier, que, no entanto, critica o pouco investimento do petista em infraestrutura.

"Durante os oito anos de governo do presidente Lula, praticamente não houve investimento em áreas essenciais, como transportes e energia."

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