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Líder da Costa do Marfim não cede a ultimato de missão africana

Capacetes azuis garantem segurança de candidato vitorioso

Comboio da ONU foi atacado nesta terça por simpatizantes de Gbagbo

Chefes de Estado da África Ocidental encerraram nesta terça-feira sua viagem à Costa do Marfim e deram um ultimado ao presidente Laurent Gbagbo a deixar o poder.

No cargo desde 2000, Gbagbo novamente se recusou a ceder o posto para Alassane Ouattara, reconhecido internacionalmente como o vencedor da última eleição, em 28 de novembro.

A delegação disse que, caso não deixe o cargo, a Costa do Marfim poderá ser alvo de uma intervenção militar.

Uma emissora de TV leal a Gbagbo atacou os críticos à permanência do presidente e indicou que migrantes de países vizinhos que vivem na Costa do Marfim poderão correr riscos caso a ameaça de uma ação militar se concretize.

Mais cedo, um soldado da missão de paz da ONU foi ferido no braço com uma machadada quando seu comboio foi atacado por uma multidão num reduto de Gbagbo.

A ONU diz que um dos três veículos do comboio foi incendiado no incidente, numa região ao oeste da capital Abidjã.

A organização, que mantém cerca de 9.500 soldados no país, foi acusada por Gbagbo de interferir em assuntos marfinenses e convidada a se retirar do país.

Mas a ONU se recusa a sair e defende que o poder seja transferido a Ouattara.

Líderes

Um comunicado divulgado pelo presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, um dos três líderes da África Ocidental que foram a Abidjã negociar uma saída para o impasse, diz que a visita se encerrara e que o grupo viajaria à Nigéria para se encontrar com o presidente da Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Cedeao), Goodluck Jonathan.

Os três presidentes – Pires, Boni Yayi (Benin) e Ernest Bai Koroma (Serra Leoa) – chegaram à Costa do Marfim pela manhã, no que era visto como uma última tentativa da comunidade internacional de negociar a crise antes de uma intervenção militar.

Após o encontro, o presidente do Benin disse que “tudo correu bem”.

Mas Abdon Bayeto, conselheiro de Gbagbo, disse à BBC que “a mensagem que (Gbagbo) tinha para eles era dizer-lhes que ele fora democraticamente eleito, reconhecido por nossa constituição”.

Os líderes então foram se reunir com Ouattara, que está num hotel protegido por cerca de 800 soldados da ONU.

“Outtara venceu e insistimos que Outtara se torne o presidente deste país, e esta é a posição tomada pelos líderes da África Ocidental”, disse à BBC o ministro da Informação de Serra Leoa, Ibrahim Ben Kargbo.

O hotel também está cercado por tropas leais a Gbagbo, que diz não estar preocupado com as ameaças de intervenção militar e ser vítima de um complô que envolve a França e os Estados Unidos.

Violência

A vitória de Ouattara na eleição de novembro foi derrubada pelo Conselho Constitucional, órgão chefiado por um aliado de Gbagbo, que alegou ter havido uma fraude nos resultados no norte do país.

Desde a eleição, ao menos 173 pessoas morreram em confrontos, segundo a ONU.

A ameaça de uma onda ainda maior de violência fez com que 20 mil pessoas, a maioria mulheres e crianças, fugissem para a vizinha Libéria.

Segundo o correspondente da BBC em Abidjã, John James, a atmosfera na cidade é tensa e muitos temem uma intervenção militar nas próximas semanas.

Ele diz que os marfinenses esperavam que as eleições pusessem fim à década mais difícil da história do país, mas, em vez disso, ela criou um novo período de instabilidade.

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