Órgão da UE critica plano grego de erguer cerca na fronteira com Turquia

Imigrantes detidos na fronteira entre Grécia e Turquia
Image caption Fronteira entre Turquia e Grécia é porta de entrada de ilegais na UE

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), criticou os planos do governo grego de erguer uma cerca de 12 km na fronteira com a Turquia para impedir que imigrantes ilegais entrem no território grego.

A cerca cobriria uma pequena parte da fronteira turco-grega, no nordeste da Grécia.

Segundo a Comissão Europeia, cercas como a planejada são “medidas de curto prazo” que não atacam o cerne da questão.

O ministro Christos Papoutsis, da pasta da proteção aos cidadãos, diz que mais de 100 mil pessoas ingressaram ilegalmente na Grécia em 2010 e que Atenas tinha o dever de agir. Há tempos a Grécia se queixa à Turquia sobre a segurança em sua fronteira compartilhada.

A área se tornou a principal rota de entrada na Grécia de migrantes da África e da Ásia. Segundo a Frontex, a agência de fronteiras da UE, 245 pessoas em média atravessaram ilegalmente a fronteira por dia em outubro de 2010.

A comissária europeia para Assuntos Internos, Cecilia Malmstroem, qualificou o dado de “dramático”.

Além do limite

Em comunicado, Papoutsis disse que a sociedade grega excedeu sua capacidade de acomodar imigrantes ilegais.

“Essa é a dura realidade, e nós temos uma obrigação para com o cidadão grego de lidar com isso.”

Ele disse que a guarda costeira da Grécia também seria modernizada para combater a migração ilegal.

Mas as propostas receberam críticas na Grécia e no exterior. O Partido Comunista Grego descreveu os planos de “desumanos e ineficientes”.

Bill Frelick, da organização Human Rights Watch, disse à BBC que a cerca pode “deslocar o fluxo (de migrantes) para outros locais”.

“Se uma pessoa que passa pela Grécia pede asilo na Suécia ou na Alemanha, suas digitais aparecem no chamado sistema eurodoc, e elas são chutadas de volta à Grécia”, diz Frelick.

“A Grécia se mostrou completamente incapaz de lidar com esse problema, e eles têm pouco apoio dos Estados-membros da União Europeia.”

Na segunda-feira, Michele Cercone, porta-voz da Comissão da UE, disse que muros e barreiras eram “medidas de curto prazo que não nos permitirão combater a imigração ilegal de uma forma estrutural”.

O chanceler da Turquia, Ahmet Davutoğlu, disse que buscaria mais informações sobre os planos, mas o governador de Edirne, a província do país que faz fronteira com a Grécia, disse que todas as barreiras físicas eram superáveis.

Segundo ele, caso a cerca seja erguida, os migrantes poderão recorrer a um rio da região para atravessar a fronteira.

Principal rota

Cerca de 90% de todos os migrantes que entram ilegalmente na UE o fazem pela Grécia, segundo dados oficiais.

A agência de refugiados da ONU diz que 38.992 entraram no país nos dez meses anteriores a novembro de 2010, valor muito superior que os 7.574 que ingressaram no mesmo período de 2009.

Em novembro, a Frontex enviou 175 especialistas em controle de fronteira à região da cidade grega de Orestiada, perto da fronteira, para ajudar a Grécia a lidar com a questão.

A agência diz que a medida levou a uma redução de 44% no número de pessoas que conseguiram atravessar a fronteira com sucesso.

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