Coreia do Norte propõe 'diálogo incondicional' com Seul

O enviado dos EUA para a assuntos relacionados à Coreia, Stephen Bosworth (dir.) e o ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Kim Sung-Hwan
Image caption Enviado dos EUA chegou a Seul para diálogar com os dois países

A Coreia do Norte divulgou nesta quarta-feira um comunicado propondo diálogo incondicional com o governo sul-coreano para resolver a crise entre dois países, que se intensificou em 2010.

"Nós, de forma cortês, propomos estabelecer diálogo e negociações amplas com os partidos políticos e organizações da Coreia do Sul, incluindo as suas autoridades", afirma a nota divulgada pela agência oficial norte-coreana KCNA.

"O confronto não pode solucionar o problema entre Norte e Sul, e sim levar ao conflito militar e à guerra. Somente o diálogo e a negociação podem acabar com essa situação", afirma o comunicado.

Segundo a KCNA, a declaração destaca que a melhora nas relações intercoreanas e a promoção da "reconciliação nacional" são um objetivo do regime da Coreia do Norte.

Nessa terça-feira, o enviado especial dos Estados Unidos para assuntos relacionados às Coreias, Stephen Bosworth, chegou à capital sul-coreana Seul para uma nova rodada de diálogos com representantes dos dois países.

Além das tensões mais recentes entre as duas Coreias, Bosworth tratará do programa nuclear de Pyongyang, que é motivo de preocupação por parte de várias nações ocidentais.

O enviado afirmou que "negociações sérias" são fundamentais para lidar com a Coreia do Norte, e disse esperar que os diálogos possam ocorrer "razoavelmente cedo".

Tensão na península

O ano passado foi tenso na península coreana. Em março, um ataque desferido contra um navio de guerra do Sul, atribuído às forças de Pyongyang, deixou 46 marinheiros mortos.

Em novembro, a Coreia do Norte disparou contra a Ilha sul-coreana de Yeonbyeong, matando quatro pessoas, inclusive civis.

A Coreia do Sul alega que o Norte intensificou seus exercícios militares no último ano.

Por outro lado, a Coreia do Norte e a China, o principal aliado do país, criticaram os exercícios militares conjuntos em grande escala também realizados pelo Sul e pelos Estados Unidos na região.

No fim do ano passado, o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, pediu a retomada das negociações do Grupo dos Seis (Estados Unidos, Japão, China, Rússia e as duas Coreias) sobre o programa nuclear da Coreia do Norte, afirmando que a diplomacia seria a única maneira de desmantelar o projeto atômico.

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