Deputada baleada no Arizona 'já consegue se comunicar'

Image caption Gabrielle Giffords participava de um evento político quando foi alvejada

Um dos médicos responsáveis pela deputada americana Gabrielle Giffords afirmou neste domingo que ela continua em estado crítico, mas está respondendo bem ao tratamento e que já consegue obedecer a comandos simples.

A democrata foi baleada na véspera durante um evento político em um supermercado em Tucson, no Estado do Arizona. O ataque deixou pelo menos seis mortos, entre eles uma criança de nove anos e um juiz federal, e 14 feridos.

Gliffords, que tem 40 anos, foi atingida na cabeça com um tiro à queima-roupas e levada para o Centro Médico Universitário de Tucson, a cerca de 15 quilômetros do local do ataque.

O cirurgião Peter Rhee disse que sua equipe estava “cautelosamente otimista” em relação ao estado de saúde da deputada, mas não deu detalhes de como sua recuperação se daria e nem de possíveis sequelas. Segundo ele, a democrata se saiu bem em testes simples, como fechar a mão ou erguer um dos dedos.

O médico afirmou ainda que outro motivo para se acreditar na recuperação é o fato de a bala ter atingido apenas um dos lados do cérebro de Giffords.

‘Solitário e perturbado’

À tarde, o diretor do FBI Robert Mueller confirmou que Jared Loughner, de 22 anos, estava sob custódia da política e seria formalmente acusado pelo crime no ainda no domingo. Após os disparos, o jovem tentou fugir do local, mas foi preso por seguranças da democrata.

Image caption O suspeito Jared Loughner foi qualificado por amigos como perturbado

Mueller revelou que há indícios de que o suspeito teria participado, em 2007, de outro evento político liderado por Giffords.

“O episódio foi um ataque contra nossas instituições e contra nosso modo de vida”, afirmou o diretor do FBI.

Ex-colegas de Loughner afirmaram que o jovem é "obviamente perturbado" e uma pessoa solitária. Ele divulgou diversos vídeos, fotos e mensagens antigovernistas em sites como o YouTube e o MySpace.

Tragédia

O presidente Barack Obama disse que o incidente é uma “tragédia indescritível para todo o país”.

O ataque tem acirrado um debate político nos Estados Unidos a respeito do tom agressivo de algumas campanhas.

Uma das figuras mais populares do movimento conservador Tea Party, a ex-candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin chegou a incluir Giffords em uma lista de políticos que o movimento deveria tentar remover do poder nas eleições de novembro.

Image caption Mapa divulgado por Sarah Palin em 2010 mostra um alvo nos políticos que deveriam ser tirados do poder, caso de Griffords

A disputa foi acirrada, e Giffords acabou reeleita com uma diferença de apenas 4 mil votos sobre seu adversário republicano, apoiado pelo movimento conservador Tea Party.

A lista divulgada por Palin, composta por 20 nomes, vinha ilustrada com o desenho de uma mira telescópica, comum em algumas espingardas.

Na época, Giffords respondeu dizendo que “quando as pessoas tomam esse tipo de atitude (colocam miras em nomes de políticos), elas precisam ter em mente as consequencias que tais ações podem acarretar.”

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