Tunísia fecha escolas e universidades após confrontos

Manifestação na Tunísia
Image caption Manifestantes protestaram na capital Túnis contra a violência policial

O governo da Tunísia ordenou nesta segunda-feira que as escolas e universidades do país sejam fechadas por tempo indeterminado, após violentos protestos no fim de semana resultarem em pelo menos 14 mortes.

As manifestações estudantis no país do norte da África já duram três semanas e têm sido associadas à insatisfação quanto ao desemprego e a frustrações com a elite governante.

O anúncio do governo ocorreu após estudantes protestarem na capital Túnis contra a violência policial.

O presidente Zine El Abidine Ben Ali, porém, disse que os manifestantes eram responsáveis por “atos terroristas”.

Em discurso transmitido pela TV estatal nesta segunda-feira, ele defendeu as ações do governo para atenuar o desemprego e prometeu criar novos postos.

Segundo Ben Ali, os jovens estão sendo liderados por uma minoria extremista.

“Os eventos foram trabalho de gangues mascaradas que atacaram à noite edifícios do governo e mesmo civis dentro de suas casas num ato terrorista que não pode ser ignorado”, disse o presidente, segundo relato da TV Al Jazeera.

Rígido controle

Protestos são raros na Tunísia, onde há rígido controle de dissidências. O fechamento das escolas indica que as autoridades estão preocupadas com as manifestações.

“Após distúrbios em alguns estabelecimentos, foi decidido suspender os cursos a partir de terça-feira até o próximo anúncio”, informou o governo em comunicado oficial.

Também na segunda-feira, os funerais em duas das três cidades onde pessoas foram mortas no fim de semana – Kasserine e Regueb – se transformaram em confrontos com forças de segurança, segundo relatos de pessoas ouvidas pela BBC.

O ativista Adnan al-Amiri, de Kasserine, disse que a polícia estava usando violência desproporcional.

“Há confrontos violentos, e a polícia está usando munição real contra jovens pedindo empregos”, afirmou.

“Nós queríamos ir e enterrar os mártires, mas eles (a polícia) nos impediram. Há apenas 10 minutos vi um homem jovem atingido por uma bala”, afirmou à BBC.

Autoridades tunisianas dizem que a polícia só atirou em manifestantes para se defender e após emitir alertas.

Segundo a imprensa estatal, 14 pessoas morreram nos confrontos, mas os manifestantes dizem que ao menos 20 foram mortos.

Preocupação internacional

A União Europeia exortou o governo tunisiano a parar de usar a força contra os manifestantes.

“Pedimos a interrupção no uso da força e o respeito por liberdades fundamentais”, disse em comunicado a chefe da política externa do bloco, Catherine Ashton.

A França, antiga metrópole do país, “deplorou” a violência e pediu calma.

Os Estados Unidos também expressaram preocupação quanto às ações governamentais frente aos protestos.

Na segunda-feira, o chanceler da Tunísia disse ter convocado o seu embaixador nos EUA para expressar sua “perplexidade” com a posição americana.

Histórico

Popular destino turístico no norte africano, a Tunísia só teve dois presidentes desde que se tornou independente, em 1956.

Ben Ali ascendeu ao poder em 1987 e foi reeleito para um mandato de cinco anos em 2009.

As manifestações na Tunísia ocorrem no momento em que os vizinhos argelinos também vão às ruas protestar contra o desemprego, o alto custo de vida e a situação política no país.

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