Mortos em protestos na Tunísia chegam a 35, diz ONG

Confronto em Sidi Bouzid
Image caption Governo ordenou que universidades fechem por tempo indeterminado

A Tunísia vivenciou nesta terça-feira mais um dia de confrontos entre policiais e manifestantes. Segundo um grupo de direitos humanos, ao menos 35 pessoas já morreram nos embates.

Movidas pela insatisfação com o desemprego, as manifestações também têm sido atribuídas a frustrações políticas. Trata-se da maior turbulência social na Tunísia em décadas.

Novas manifestações ocorreram no fim desta terça-feira em Túnis, capital do país no norte africano. Atores, músicos e outros artistas disseram que forças de segurança intevieram com violência nos protestos.

Na segunda-feira, em resposta a manifestações ocorridas no fim de semana, o governo ordenou que todas as escolas e universidades do país fechem por tempo indeterminado.

Autoridades tunisianas dizem que a turbulência dos últimos dias resultou em 21 mortes, das quais sete teriam ocorrido nesta terça-feira. Já Souhayr Belhassen, chefe da Federação Internacional das Ligas de Direitos Humanos (IFHRL), órgão baseado em Paris, disse ter uma lista com 35 nomes de mortos.

Ainda assim, ela diz crer que o número de vítimas possa chegar a 50.

Toque de recolher

Moradores de Kasserine disseram que manifestantes foram alvejados nesta terça-feira do topo de edifícios, e que um toque de recolher foi imposto na cidade.

Já o governo afirma que a polícia agiu em defesa própria, quando sua estação foi atacada com bombas de petróleo.

Segundo ativistas de direitos humanos, a violência está se espalhando do interior para várias cidades costeiras, importantes para a indústria turística do país.

Um sindicalista da cidade de Thala disse à BBC que a polícia estava alertando residentes a não se reunir em grupos, mesmo de duas pessoas. Segundo ele, falta comida e óleo para aquecimento na cidade.

Rígido controle

Protestos são raros na Tunísia, onde há rígido controle de dissidências. O fechamento das escolas indica que as autoridades estão preocupadas com as manifestações, que já duram mais de três semanas, segundo observadores.

Em discurso na segunda-feira, o presidente Zine El Abidine Ben Ali disse que os manifestantes eram responsáveis por “atos terroristas”.

Ele defendeu as ações do governo para atenuar o desemprego e prometeu criar novos postos. Segundo Ben Ali, os jovens estão sendo liderados por uma minoria extremista.

Mas a resposta do governo tunisiano tem sido criticada pela União Europeia e pelos EUA, que exortaram o país a respeitar a liberdade de expressão.

A Tunísia só teve dois presidentes desde que se tornou independente da França, em 1956. Ben Ali ascendeu ao poder em 1987 e foi reeleito para um mandato de cinco anos em 2009.

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