Em meio a protestos, militares são enviados às ruas da capital da Tunísia

Protestos contra corrupção já deixaram dezenas de mortos.
Image caption Ônibus é queimado na cidade de Ettadhamen, próxima à capital, Túnis

Soldados foram deslocados para a capital da Tunísia, Túnis, depois que a cidade passou a ser palco pela primeira vez de protestos violentos nas ruas, a exemplo do que já vinha ocorrendo na localidade de Kassrine.

Centenas de pessoas tomaram as ruas de Túnis, apesar da presença dos soldados.

De acordo com o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne, testemunhas viram vários veículos militares estacionados do lado de fora da sede da rede de televisão estatal, de embaixadas estrangeiras e de outros pontos estratégicos.

Muitos afirmam que os militares utilizam capacetes e coletes à prova de balas. Para Leyne, ainda é cedo para saber se a intervenção das Forças Armadas ajudará a acalmar a situação na Tunísia.

Na terça-feira, centenas de jovens saquearam lojas, atearam fogo a um banco e atacaram um prédio do governo em um subúrbio da capital.

Em Kassrine, no sul do país, os protestos também continuam nesta quarta-feira. Milhares de pessoas saíram às ruas respondendo à convocação de uma greve, gritando palavras de ordem e exigindo a saída do presidente, Zine El Abidine Ben Ali.

Na terça-feira, a polícia atirou contra manifestantes na cidade. O governo diz que a polícia agiu em defesa própria.

Dados oficiais dizem que 23 pessoas morreram desde o início dos protestos, em meados de dezembro. No entanto, grupos de direitos humanos e integrantes da oposição afirmam que pelo menos 50 pessoas foram mortas.

As manifestações também têm sido atribuídas a frustrações com desemprego, pobreza, corrupção e repressão por parte do governo. Trata-se da maior turbulência social na Tunísia em décadas.

Para tentar conter a onda de insatisfação no país, Ben Ali demitiu nesta quarta-feira o ministro do Interior, Rafik Belhaj, tido pela oposição como responsável pela violência contra os manifestantes.

Ben Ali também anunciou a libertação de pessoas detidas nos recentes protestos e a formação de um comitê para investigar o possível envolvimento de altas autoridades em casos de corrupção.

Segundo Jon Leyne, no entanto, no centro das acusações de corrupção estariam membros da família do presidente, o que traz poucas esperanças de que o comitê chegue a um resultado satisfatório.

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