'Herói de mangá' gera onda de doações anônimas a orfanatos no Japão

Réplica da máscara usada pelo personagem/AFP
Image caption Personagem 'Máscara de Tigre' era famoso na década de 1960 no Japão

Abrigos para crianças no Japão vêm sendo beneficiários de uma onda de filantropia anônima que usa a imagem de um conhecido personagem de mangá, as populares histórias em quadrinhos do país.

O personagem conhecido como "Máscara de Tigre", famoso na década de 1960, era um lutador de luta livre que doava o dinheiro que ganhava para o orfanato onde cresceu.

A onda atual começou no dia de Natal, quando um abrigo infantil na cidade de Maebashi recebeu um lote de mochilas, todas embrulhadas para presente. O doador não quis revelar seu nome, mas deixou um desenho do personagem famoso.

Segundo um funcionário do abrigo ouvido pela BBC, o doador afirmou a ele ser "o Máscara de Tigre". "Vim para sua cidade e quero distribuir presentes para todas as casas de crianças daqui", teria dito ele.

Timidez

Acredita-se que a doação acabou gerando uma onda de doações similares, todos feitas sob a identidade do personagem de mangá.

O correspondente da BBC em Tóquio Roland Buerk diz que, após a divulgação do caso, outros abrigos passaram a receber alimentos e dinheiro. Um estabelecimento chegou a receber mais de US$ 1 mil.

A onda de doações causou um debate no país, que, segundo um editorial do jornal Asahi Shimbun, precisa "estabelecer o hábito de fazer caridade".

"Se somos mesmo tão tímidos a respeito de doar para caridade que precisamos nos esconder no anonimato, talvez seja hora de tirarmos a máscara", disse o editorial.

Especialistas ouvidos pelo jornal dizem que a caridade seria mais eficiente se os doadores perguntassem aos estabelecimentos quais suas necessidades específicas. Alguns itens doados inclusive precisam passar pelo crivo da polícia, para que esta confirme que não se tratam de propriedade perdida.

O Asahi Shimbun afirma que existem cerca de 30 mil menores de 18 anos vivendo em tais abrigos no Japão.

Os abrigos infantis são, em sua maioria, lar de crianças negligenciadas ou vítimas de agressões, segundo o jornal.

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