Líder da Tunísia faz concessões para conter protestos no país

Polícia em Túnis/AP
Image caption A polícia isolou áreas do centro de Túnis nesta quinta-feira

O presidente da Tunísia, Zine Al-Abidine Ben Ali, anunciou nesta quinta-feira uma série de medidas para acalmar manifestantes e conter uma onda de protestos que já deixou pelo menos 23 mortos no país do norte da África.

Ben Ali disse que não mudará a constituição para se candidatar a um novo mandato em 2014 (quando acaba seu atual período na Presidência) e que ordenou que as Forças de Segurança não usem munição real para conter os protestos.

Ele prometeu também maior liberdade de imprensa, o fim ao bloqueio de sites de internet e que os preços do açúcar, leite e pão seriam reduzidos.

Nesta quinta-feira, as forças de segurança abriram fogo contra manifestantes no centro da capital tunisiana, Túnis. Pelo menos uma pessoa morreu, e a polícia isolou uma grande área do centro da cidade.

Os manifestantes foram reprimidos após violarem um toque de recolher imposto pelo governo.

Insatisfação

A onda de manifestações começou em dezembro após um jovem ter ateado fogo em si mesmo em protesto após ter sido impedido pela polícia de vender vegetais por não ter uma licença.

Os protestos inicialmente eram contra o alto desemprego e o aumento dos preços dos alimentos, mas depois passaram a representar a insatisfação da população com o presidente e com a elite, a quem acusam de ser corrupta.

Grupos internacionais de defesa dos direitos humanos afirmam que o número de vítimas fatais é bem maior do admitido pelas autoridades e já ultrapassou 60.

O correspondente da BBC em Túnis Adam Mynott disse que há relatos de saques na cidade.

1987

A França, antiga potência colonial da Tunísia, criticou o "uso desproporcional de violência" e pediu calma para ambos os lados.

No começo da semana, o presidente Ben Ali trocou o ministro do Interior e pediu a libertação da maior parte dos detidos desde o início dos protestos e prometeu investigar as alegações de corrupção.

Mas, segundo o correspondente da BBC, muitos no país consideram vazio o discurso do presidente.

Ben Ali é o segundo presidente do país desde que este conquistou a independência da França, em 1956. Ele chegou ao poder em 1987 e foi reeleito para outro mandato de cinco anos em 2009 com quase 90% dos votos.

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