Alvo de preocupação do governo, dólar fraco ajudou a ‘segurar’ inflação

Guido Mantega
Image caption Mantega é crítico da desvalorização do dólar

Uma das principais preocupações do governo brasileiro nos últimos meses, a valorização do real frente ao dólar, acabou ajudando a “segurar” a inflação ao longo de 2010.

A depreciação da moeda americana torna os produtos importados mais baratos, causando um efeito positivo no índice de preços.

Dessa forma, o consumidor pode substituir itens que ficaram mais caros por produtos adquiridos no exterior.

Segundo o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, diversos produtos passaram a chegar ao Brasil com preços mais em conta, não apenas em função do dólar fraco, mas também porque esses artigos estão mais baratos em seus próprios mercados.

“A influência do câmbio valorizado na inflação é indiscutível. E para completar, alguns produtos europeus, por exemplo, já estão saindo das fábricas com preço em conta, já que lá o consumo está em baixa”, diz o economista.

Importações

No ano passado, as importações brasileiras cresceram 41%, segundo dados preliminares do Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria.

Dentre os bens duráveis mais adquiridos no exterior no ano passado estão os automóveis de passageiros, cuja importação, em dólares, cresceu 59% no período.

No ano passado, a inflação oficial no Brasil (IPCA) ficou em 5,91%, o maior resultado dos últimos seis anos.

A alta dos alimentos foi o principal vilão do índice, com alta de 10,3%, mas diversos outros itens também subiram de preço, como o de serviços.

Segundo o economista Bernardo Wjuniski, da consultoria Tendências, o resultado poderia ter sido ainda pior não fosse a “contribuição positiva” da desvalorização do dólar. Em 2010, a moeda americana acumulou uma queda de 25% em relação ao real.

“Trata-se de uma contribuição significativa. Claro que o peso dos alimentos no IPCA é muito grande, mas o papel do câmbio, com a desvalorização do dólar, ajudou a minimizar a alta geral dos preços”, diz.

Ao denunciar a possibilidade de uma “guerra cambial” entre os países, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, colocou o Brasil na posição de “porta-voz” das críticas sobre a desvalorização do dólar.

“No entanto, vemos também que, por outro lado, a economia brasileira se beneficia do dólar mais fraco. É uma situação delicada”, diz Wjuniski.

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