Começam as negociações para um novo governo na Tunísia

Exército patrulha rua de Túnis
Image caption Túnis ficou sob patrulha do Exército e toque de recolher

Os líderes políticos da Tunísia deram início, neste domingo, às negociações para o governo que substituirá o presidente Zine al-Abidine Ben Ali, que renunciou na última sexta-feira em meio a protestos.

O chefe do Parlamento, Foued Mebazzaa, foi oficializado como presidente interino no último sábado e prometeu formar um governo de unidade nacional com outros partidos políticos.

"Todos os tunisianos sem exceção devem estar associados ao processo político", disse Mebazzaa em um comunicado pela televisão.

Enquanto isso, novos episódios de violência foram observados na capital Túnis na tarde deste domingo, com um saldo de ao menos dois mortos. As forças de segurança do país trocaram tiros com supostos membros da guarda presidencial - que tem integrantes leais a Ben Ali - ao norte de Túnis, perto do palácio do governo.

Os confrontos começaram depois de o chefe da segurança de Ben Ali ter sido preso, acusado de fomentar a violência no país.

Image caption Premiê Ghannouchi (dir.) fez reuniões com líderes da oposição

O estado de emergência continua, e o Exército segue patrulhando as ruas da capital. Neste domingo, algumas lojas e restaurantes voltaram a funcionar normalmente.

Leia mais na BBC Brasil: Entenda a crise na Tunísia

Reuniões

O primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi deu início às negociações com políticos da oposição no último sábado. Ele se reuniu com o líder da oposição Najib Chebbi.

Chebbi, que é o chefe do Partido Progressivo Democrático, disse à rádio francesa RTL que sua principal exigência era que as eleições acontecessem dentro de seis ou sete meses sob supervisão internacional.

Segundo a atual Constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer dentro de 60 dias.

O chefe do partido de centro-esquerda Ettajdi, Ahmed Ben Brahim, também se reuniu com Ghannouchi - assim como Mustafa Ben Jaafar, do Partido da União pela Liberdade e pelo Trabalho, que pediu "reformas verdadeiras".

As conversas continuarão neste domingo, e há expectativas de que um novo governo seja anunciado na segunda-feira.

O chefe do Partido Islâmico da Tunísia Rached Ghannouchi disse que deve retornar do exílio em algumas semanas. O partido havia sido banido no país.

Ele disse à BBC em Londres que os tunisianos se livraram de um ditador, mas que ainda falta muito para acabarem com a ditadura.

Milícias

O centro de Túnis foi fechado por soldados que protegem os principais prédios públicos. Helicópteros também patrulham o local.

Moradores de algumas regiões se armaram com bastões e tacos e formaram milícias para proteger suas casas.

O morador de Nabeul, no sul de Túnis, Haythem Houissa, disse à BBC que se juntou a um grupo voluntário "para ajudar a limpar e proteger a nossa cidade".

Partidários de Ben Ali são suspeitos de parte dos atos violentos, mas a maioria dos ataques teve como alvo prédios ligados ao ex-presidente e sua família.

O líder da Líbia, Muammar Khadafi, elogiou Ben Ali, que disse ainda considerar "o presidente legal da Tunísia".

No último mês, a Tunísia foi palco de protestos conta o desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção. Confrontos com a polícia mataram dezenas durante as manifestações.

Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, foi de avião até a Arábia Saudita na última sexta-feira, depois de renunciar ao cargo.

Notícias relacionadas