Inflação acelera e gera preocupação com juros na Grã-Bretanha

Supermercado britânico (arquivo BBC)
Image caption Preços de alimentos foram um dos fatores que levaram à alta

A inflação na Grã-Bretanha acelerou em dezembro do ano passado, acentuando o dilema do Banco da Inglaterra, a autoridade monetária britânica, entre elevar ou manter a taxa de juros.

Impulsionado pelos alimentos e os transportes, o índice de preços ao consumidor (CPI) anualizado fechou o mês em 3,7%, contra 3,3% no mês anterior. Foi o índice mais alto em oito meses.

O índice de preços no varejo (RPI) – que inclui os pagamentos das hipotecas e é usado como referência em negociações salariais – subiu de 4,7% para 4,8% na mesma medição.

O aumento foi a maior que o esperado e inclusive mais alto que as previsões do Banco da Inglaterra - o que ele eleva as pressões para que a autoridade monetária suba as taxas de juros mais cedo do que o esperado, retardando a recuperação econômica do país.

Apostas

Grande parte dos analistas aposta em uma alta dos juros britânicos, hoje em 0,5% ao ano, em 2011.

A elevação viria talvez na segunda metade do ano, mas há quem considere que possa vir antes disso.

"Nosso palpite é agosto, mas existe o risco de que venha até em maio", disse o economista chefe do Banco BNP Paribas, Alan Clarke.

Já o economista-chefe da Câmara de Comércio Britânica, David Kern, disse que a elevação seria "um erro" do Banco da Inglaterra.

"Elevar as taxas em um momento de aperto da política fiscal e de grande pressão sobre as empresas e as pessoas físicas seria um erro e deve ser evitado", disse o economista.

A possibilidade de que o Banco da Inglaterra dê início a uma onda de aumentos nos juros teve efeito na negociação da libra esterlina, que no início da tarde em Londres era cotada a US$ 1,60 – um aumento de mais de meio ponto percentual em relação ao fechamento da segunda-feira.

<b>Esperar para ver</b>

Image caption Preços de combustíveis também puxaram preços para cima

Mas o analista de economia da BBC Hugh Pym disse haver poucos indícios de que haja votos suficientes dentro do comitê de política monetária do Banco da Inglaterra para decidir por uma alta dos juros.

Segundo o repórter, o Banco tem preferido aguardar para ver, já que os sucessivos cortes orçamentários podem terminar por esfriar a atividade econômica e reduzir a inflação nos próximos dois anos.

Dentro do órgão, há divergências sobre as razões que explicam a alta da inflação e, portanto, o remédio a prescrever.

Analistas dizem que é evidente a pressão do aumento do preço das commodities. Os preços dos alimentos registraram a maior alta da história para um mês de dezembro.

Os custos de transporte, incluindo as passagens aéreas e combustíveis, tiveram a maior alta mensal nos registros do Escritório Nacional de Estatísticas.

O núcleo da inflação, que exclui os itens voláteis, como energia e alimentação, subiu de 2,7% para 2,9%.

Em 2010, o nível de preços se manteve bastante acima da meta de 3% fixada pela autoridade monetária.

Analistas estimam que os índices possam a chegar a 4% em fevereiro ou março, por causa do aumento do imposto sobre as mercadorias que começou a valer em janeiro deste ano.

A elevação do imposto sobre o valor agregado foi uma das medidas do governo de coalizão Conservador-Liberal Democrata para elevar a arrecadação e conter o déficit do país.

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