Prefeito espera que Teresópolis volte ao normal em 30 dias

Crédito: Marco Esteves/Divulgação
Image caption Para Jorge Mário, a reconstrução das pontes é uma das prioridades

O prefeito de Teresópolis, Jorge Mário, disse à BBC Brasil que serão concluídos em 30 dias os trabalhos de resgate de vítimas, de limpeza de vias de acesso e de reconstrução das pontes da cidade, que foi devastada por deslizamentos e enxurradas causadas pelas fortes chuvas na região serrana do Rio. Cerca de 700 pessoas foram mortas na tragédia.

Para cumprir com este prazo, o prefeito espera que o governo do Rio aprove a compra de um sistema de perfis pré-moldados que tornaria mais rápida a reconstrução das pontes. Mário vê isto como fundamental para que Teresópolis tenha restabelecido o seu funcionamento normal.

Sobre as estradas do município, que foram afetadas por inúmeras quedas de barreiras, Mário crê que elas estarão totalmente liberadas somente na próxima semana.

O prefeito afirma que algumas áreas de Teresópolis não poderão mais ser habitadas, devido à devastação causada pelos deslizamentos. É o caso de Campo Grande, localidade que foi totalmente destruída pelas pedras que, com a força da água, desceram das montanhas.

"Vamos estudar a possibilidade de fazer um parque natural no Campo Grande", disse Jorge Mário. "Já fiz contato com dois empresários que são proprietários de sítios no local, e eles estão dispostos a doar parte das suas terras".

Projetos urbanísticos

Segundo o prefeito, também estão sendo elaborados projetos urbanísticos para evitar que se construam casas nos lugares mais atingidos e para que os moradores destes locais sejam removidos. Ele afirma ainda que a prefeitura está sendo "rigorosa" para retirar residências e estabelecimentos comerciais situados à margem dos rios.

"Vamos procurar refazer a urbanização desses bairros de acordo com o plano diretor do município", diz Jorge Mário.

O prefeito admite que causa frustração o fato de o sistema nacional de prevenção de desastres, cuja criação foi anunciada nessa segunda-feira pelo governo federal, só venha a entrar em operação em 2015. "O alento é que as pessoas estão sensíveis ao problema e que estamos próximos de ter um sistema que funcione efetivamente", diz.

Mário espera que o sistema funcione com "alta capacidade de acerto", possibilitando a evacuação das áreas de risco em 30 minutos ou uma hora, no máximo.

Turismo

O prefeito acredita que o turismo - uma das principais atividades econômicas de Teresópolis - não será afetado devido à tragédia ocorrida na cidade.

"É uma questão dessa agenda negativa passar, de as pessoas desfocarem do trauma, dessas chuvas de verão, e voltarem a frequentar o município na alta temporada, que é no inverno, quando não chove", afirma Jorge Mário. "Creio que em julho e agosto vamos estar com os hotéis e pousadas totalmente ocupados."

"O centro urbano de Teresópolis não foi afetado, só os bairros periféricos", diz o prefeito. "Hoje, andando na rua, a gente já percebe que a cidade começou a voltar ao seu funcionamento normal."

Críticas

Quanto às críticas sofridas pela prefeitura por uma suposta desorganização da prefeitura na distribuição de donativos, Mário credita o fato ao "descontrole emocional" de algumas pessoas, e afirma que o esquema de ajuda aos afetados pela chuva está sendo aprimorado.

"Geralmente no caos as pessoas estão com o emocional à flor da pele, e uma pessoa ou outra, com seu emocional um pouco descontrolado, pode ter algum tipo de atitude", diz o prefeito. "Mas o importante é que todo mundo está buscando acertar e socorrer as vítimas".

Mário admite, no entanto, que houve certa demora na resposta ao desastre ocorrido em Teresópolis, culpando principalmente a magnitude do problema.

"Nós temos um plano emergencial de chuvas de verão, e cinco dias antes (do temporal), reuni secretários, a PM e a Defesa Civil para passar o checklist de todo mundo", diz o prefeito. "Mas como foi um fenômeno sem precedentes na história do Brasil, nós demoramos a conseguir chegar em perfeito estado de administração disso tudo."

Chuva forte

Uma forte chuva caiu por cerca de duas horas na tarde desta terça-feira em Teresópolis. O trânsito da área central da cidade ficou bastante congestionado, enquanto grandes quantidades de água e lama caíam das encostas dos morros em direção às calçadas e às ruas.

Não há informações sobre novos deslizamentos ou enchentes na cidade em decorrência desta chuva. Já foram contabilizados 696 mortos na região serrana fluminense. São 334 em Nova Friburgo, 280 em Teresópolis, 58 em Petrópolis, 19 em Sumidouro, quatro em São José do Vale do Rio Preto e um em Bom Jardim. No entanto, o número de vítimas pode crescer ainda mais, já que o número de desaparecidos passa de 200.

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