Hu Jintao diz que ‘muito ainda precisa ser feito’ sobre direitos humanos

Barack Obama e Hu Jintao
Image caption Em encontro com Hu, Obama disse que a “ascensão pacífica” da China é boa para os EUA

O presidente da China, Hu Jintao, disse nesta quarta-feira que “muito ainda precisa ser feito” em relação aos direitos humanos em seu país.

Em uma coletiva de imprensa conjunta com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na Casa Branca, Hu disse que a China fez “enormes progressos reconhecidos no mundo” em relação aos direitos humanos.

O líder chinês disse ainda que a China pretende continuar a manter discussões sobre direitos humanos com base no respeito mútuo e na não-interferência em seus assuntos internos.

Obama afirmou que as diferenças entre os Estados Unidos e a China em relação aos direitos humanos são às vezes “motivo de tensão”.

“Eu acredito que parte da justiça e parte dos direitos humanos é conseguir ganhar seu sustento e ter o suficiente para comer e ter abrigo e ter eletricidade”, disse Obama.

O presidente americano disse que a “ascensão pacífica” da China é boa para os Estados Unidos.

“Os Estados Unidos têm interesse em ver centenas de milhões de pessoas saindo da pobreza”, afirmou Obama.

Cooperação

O presidente chinês foi recebido na Casa Branca com honras militares na manhã desta quarta-feira.

A visita de Hu aos Estados Unidos tem sido considerada por analistas a mais importante de um líder chinês desde 1979, quando as relações diplomáticas entre os dois países foram normalizadas.

A viagem ocorre em um momento tenso nas relações bilaterais, com divergências sobre uma série de temas, entre eles comércio, segurança e a questão cambial.

Na entrevista coletiva, após um encontro fechado com o presidente chinês, Obama disse que a “relação positiva, construtiva e de cooperação” entre os dois países é boa para os Estados Unidos, para a China e para o mundo.

“Com nossos parceiros no G20, nós passamos da beira de uma catástrofe para o início da recuperação da economia global. Com nossos parceiros no Conselho de Segurança (da ONU), nós aprovamos e implementamos as sanções mais fortes contra o programa nuclear do Irã até hoje”, disse Obama, em uma coletiva de imprensa conjunta com Hu.

“Nós trabalhamos juntos para reduzir as tensões na península coreana e, mais recentemente, nós saudamos o apoio da China ao referendo histórico no sul do Sudão.”

“Ao olharmos para o futuro, o que é necessário, eu acredito, é um espírito de cooperação que também seja de competição amigável. Em áreas como as que acabei de mencionar, nós vamos cooperar, forjando parcerias e fazendo progressos que nenhuma das duas nações poderia conquistar sozinha”, afirmou o presidente americano.

Moeda

Os dois presidentes também prometeram cooperar para resolver a disputa a respeito da moeda chinesa, o yuan.

Os Estados Unidos acusam a China de manter o yuan artificialmente desvalorizado, o que levaria a vantagens competitivas para suas exportações.

Obama afirmou ter dito a Hu que o valor do yuan deve ser determinado pelo mercado.

O déficit na balança comercial com a China preocupa os americanos. Os Estados Unidos importam US$ 344,1 bilhões da China, e exportam somente US$ 81,8 bilhões.

Hu disse que as discussões com Obama foram ‘sinceras, pragmáticas e construtivas”.

O presidente chinês afirmou ainda que há muitas áreas em que China e Estados Unidos podem cooperar, e que os dois países vão continuar a resolver suas divergências de maneira apropriada e com respeito mútuo.

Agenda

Este foi o oitavo encontro entre Obama e Hu. O presidente chinês chegou a Washington na tarde de terça-feira e, após ser recebido pelo vice-presidente, Joe Biden, participou de um jantar privado na Casa Branca.

Nesta quarta-feira, Hu e Obama participaram de um encontro entre líderes empresariais chineses e americanos.

À noite, será oferecido um jantar de Estado na Casa Branca em homenagem ao líder chinês.

Na quinta-feira, Hu deverá visitar o Congresso americano e se reunir com líderes republicanos e democratas, antes de partir para Chicago, última parada de sua visita aos Estados Unidos.

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