Primeiros resultados oficiais de referendo apontam divisão do Sudão

Autoridade eleitoral checa os selos de fechamento de urna em Juba, sul do Sudão (Reuters)
Image caption Resultado oficial final deve ser anunciado apenas em fevereiro

Os primeiros resultados oficiais do referendo sobre a emancipação do sul do Sudão, divulgados nesta quarta-feira, indicam que os eleitores votaram, em sua maioria, pela independência da região.

Autoridades na capital da região, Juba, afirmaram que os resultados preliminares mostram que 97,5% dos eleitores votaram pela separação do norte do país.

De acordo com o repórter da BBC no Sudão Peter Martell, até o momento os resultados mostram que sete dos dez Estados do sul sudanês teriam aprovado a separação.

O resultado final e oficial deverá ser divulgado apenas em fevereiro.

Sem surpresas

Martell afirma que os primeiros resultados divulgados foram recebidos com alívio e animação e não surpreendem, pois o apoio à independência entre os sudaneses do sul é alto há tempos.

No entanto, os líderes da região pediram que os eleitores ainda não comemorem. Eles preferem aguardar o resultado final em fevereiro e que a região norte aceite os resultados, antes de realizar a grande festa que vem planejando.

O referendo histórico foi parte de um acordo de paz assinado em 2005, que pôs fim a décadas de guerra civil entre o norte sudanês, majoritariamente muçulmano, e o sul, onde predominam o cristianismo e outras religiões.

No entanto, este acordo de paz expira em julho e questões como a divisão das riquezas advindas do petróleo, a demarcação de fronteiras, a divisão de dívidas e questões ligadas à cidadania dos sudaneses precisam ser resolvidas até lá.

A votação começou no dia 9 de janeiro e foi oficialmente encerrada na noite de 15 de janeiro.

O Conselho de Segurança da ONU elogiou o referendo no sul do Sudão em sua reunião de terça-feira.

"O povo do sul do Sudão, depois de décadas de guerra e mais de dois milhões de mortos, votou pacificamente e expressou sua vontade", disse a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice.

Mas os membros do conselho também destacaram a preocupação com a tensão na fronteira entre o norte e o sul do país.

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