ONU investiga denúncia de mais de cem mortes na Tunísia

Manifestante em Túnis/Reuters
Image caption Não há relatos de violência durante as manifestações da quarta-feira

A alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, disse nesta quarta-feira que a organização recebeu relatos de que mais de cem pessoas morreram durante a onda de violência nas últimas cinco semanas na Tunísia.

Segundo Pillay, as mortes teriam ocorrido “como resultado de tiros, suicídios e rebelião de detentos no fim de semana”.

A entidade pretende enviar ao país uma comissão especializada em direitos humanos para investigar as mortes e prestar assessoria ao governo.

Há cerca de cinco semanas começou uma onda de protestos no país, muitos reprimidos violentamente, que culminaram na deposição do presidente Zine Al-Abidine Ben Ali, refugiado na Arábia Saudita.

Investigação

Também nesta quarta-feira, centenas de manifestantes se reuniram mais uma vez na capital da Tunísia, Túnis, mas não há relatos de violência.

"Eles (os protestos) continuarão até nos livrarmos do partido dominante. Derrubamos o ditador, não a ditadura", disse um manifestante.

Há relatos de que o governo de unidade nacional teria adiado seu primeiro encontro nesta quarta-feira.

Na terça-feira, integrantes do novo governo renunciaram logo após terem sido nomeados em protesto contra a permanência de integrantes do antigo regime na administração.

A promotoria pública da Tunísia iniciou investigações sobre bens no exterior em nome de Ben Ali sobre possíveis transações ilegais e contas bancárias.

A medida, que também afeta bens de familiares do ex-presidente, foi anunciada no mesmo dia em que a Suíça ordenou o congelamento de todas as contas de Ben Ali no país.

A chancelaria suíça disse que a medida foi tomada para impedir que o dinheiro fosse retirado e para garantir ao novo governo tunisiano acesso ao dinheiro se as investigações concluírem que ocorreu desvio ilícito.

Liga Árabe

Na abertura de um encontro da Liga Árabe no Egito, na quarta-feira, o secretário-geral, Amr Moussa, vinculou a instabilidade na Tunísia às dificuldades econômicas vividas pelos países árabes em geral.

"A alma árabe foi partida pela pobreza, desemprego e recessão em geral", disse Moussa na abertura de um encontro da organização nesta terça-feira no Egito.

Espera-se que os países presentes no encontro aprovem um pacote financeiro de US$ 2 bilhões para estimular suas economias.

A ONU diz que uma em cada três pessoas no mundo árabe vive abaixo da linha da pobreza e enumera entre as principais causas disto a corrupção e a má distribuição de renda.

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