Tunísia derruba veto a partidos políticos

Protestos na Tunísia/Getty Images
Image caption Durante protesto, manifestante coloca flor em arma de soldado

O governo interino da Tunísia afirmou nesta quinta-feira que vai reconhecer todos os grupos políticos banidos até então, incluindo os islâmicos, e anistiar os presos políticos.

O anúncio foi feito após a primeira reunião do novo gabinete - uma semana depois de protestos que forçaram o presidente Zine El-Abidine Ben Ali a deixar o cargo e fugir do país.

O encontro vinha sendo adiado por causa da resistência da oposição em ceder cargos importantes a membros do partido de Ben Ali, o RCD. Os opositores insistem na formação de um novo governo com uma ruptura total com o passado.

A TV estatal informou que oito ministros que eram do RCD e continuam em seus cargos no novo governo deixaram o partido. O presidente interino, Fouad Mebazaa, também deixou o RCD em uma tentativa de se distanciar de Ben Ali.

O governo interino prometeu eleições em seis meses, mas não especificou uma data.

‘Sem volta’

A anistia foi anunciada por um porta-voz do governo, o ministro da Juventude, Mohamed Aloulou, segundo a agência de notícias oficial da Tunísia (TAP). Ele garantiu que todos os grupos serão reconhecidos, incluindo o movimento islâmico Ennahda.

"A decisão foi unânime", disse Aloulou, que qualificou o encontro como histórico.

"Não há volta. Vamos reconhecer todos os movimentos politicos."

Nesta quinta-feira, soldados tunisianos dispararam tiros de advertência contra manifestantes que se reuniram em frente à sede do RCD na capital, Túnis.

Também ocorreram protestos fora da capital, nas cidades de Gafsa e El Kef. Foram os primeiros protestos fora de Túnis desde a saída de Ben Ali e de sua família para a Arábia Saudita, na semana passada.

O país vive desde dezembro uma onda de protestos, muitos deles reprimidos violentamente, que culminaram na saída de Ben Ali do governo.

A Tunísia ainda está em estado de emergência e o Exército ocupa a capital. Escolas e universidades continuam fechados.

Nesta quinta-feira foram anunciadas as prisões de mais de 30 integrantes da família do ex-presidente.

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