Ministra de Relações Exteriores francesa é recebida com protestos em Gaza

Image caption Alliot-Marie minimizou o incidente e disse que foi mal interpretada

A ministra francesa de Relações Exteriores, Michele Alliot-Marie, foi recebida com protestos em visita à Faixa de Gaza, nesta sexta-feira.

Palestinos atiraram ovos e sapatos no veículo que levava a ministra e tentaram impedir sua entrada em Gaza pelo cruzamento de Erez, ao norte da região.

A maioria dos manifestantes eram familiares de palestinos presos em Israel, que reagiam à notícia, incorreta, de que a ministra teria chamado a captura do soldado isralense Gilad Shalit pelo Hamas de "crime de guerra".

Gilad Shalit é franco-israelense e está em poder do Hamas desde 2006.

Alliot-Marie, em sua primeira visita ao Oriente Médio desde que foi indicada pra o cargo em novembro, disse que foi mal interpretada e que o incidente "não foi muito sério".

Ela disse ainda que "entre os manifestantes havia mães cuja tristeza eu entendo, mas havia pessoas com outras intenções".

Comentário

Em visita ao pai de Gilad Shalit, Noam Shalit, em Jerusalém, ela teria dito que o rapaz deveria receber visitas da Cruz Vermelha no cativeiro.

Depois da visita, ele disse à imprensa que a ministra havia prometido falar com a União Europeia e "passar adiante a mensagem de que o prisioneiro deveria receber visitas da Cruz Vermelha".

O próprio Noam Shalit teria dito aos repórteres que "manter um refém sem permitir que ele receba representantes da Cruz Vermelha é um crime de guerra".

Alguns meios de comunicação, incluindo uma rádio israelense, atribuiram o comentário à ministra francesa.

O porta-voz do Hamas Abu Zuhri disse que o comentário refletia "parcialidade em favor de Israel" e que ignorava os mihares de palestinos aprisionados pelo país.

"Eles são verdadeiros prisioneiros de guerra", disse.

Em Gaza, Michele Alliot-Marie pediu o fim do bloqueio de Israel ao território palestino.

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