Governo da Tunísia diz ter libertado todos os prisioneiros políticos

Fieis rezam de luto na Tunísia
Image caption País iniciou três dias de luto pelos mortos nos protestos

O gabinete interino da Tunísia anunciou nesta sexta-feira ter libertado todos os prisioneiros políticos detidos durante o governo do presidente Zine El-Abidine Ben Ali, que deixou o cargo e o país na semana passada.

O anúncio, que vem em um momento de luto nacional pelos mortos nos protestos da última semana, é mais uma medida com a qual o atual governo diz querer "romper com o passado" do governo anterior.

Em entrevista à rádio pública francesa, o ministro tunisiano do Desenvolvimento Regional, Ahmed Nejib Chebbi, disse que outras medidas que devem agradar os opositores de Ben Ali serão tomadas.

"Todos os prisioneiros foram libertados, todos. Depois virá a imunidade para as universidades, em outras palavras, a retirada dos policiais que ocuparam as universidades nos últimos 20 ou 23 anos, desde 1990", disse Chebbi.

"E foram abertos procedimentos contra o ex-presidente, sua família e seus colaboradores. Dois processos estão em andamento na Justiça e as investigações, nas mãos das autoridades."

Luto

O país começou a observar nesta sexta-feira um luto de três dias pela morte de pelo menos 78 pessoas desde o início de janeiro.

Em meio à repressão violenta, o país está em estado de emergência, e o Exército ocupa a capital. Escolas e universidades continuam fechados.

Na quinta-feira, em sua primeira reunião após a saída de Ben Ali, o gabinete interino anunciou que reconheceria todos os grupos políticos banidos até então, incluindo os islâmicos, e anistiar os presos políticos.

Leia mais na BBC Brasil: Tunísia derruba veto a partidos políticos

Também foram anunciadas as prisões de mais de 30 integrantes da família do ex-presidente.

Novo governo

A oposição vinha insistindo na formação de um novo governo com uma ruptura total com o passado - e mais especificamente, com o partido de Ben Ali, o RCD.

Segundo a TV estatal, oito ministros que eram do RCD deixaram o partido e continuam em seus cargos no novo governo. Em uma tentativa de se distanciar de Ben Ali, o presidente interino, Fouad Mebazaa, também deixou o RCD.

O gabinete prometeu eleições em seis meses, mas não especificou uma data.

Na quinta-feira, soldados tunisianos dispararam tiros de advertência contra manifestantes que se reuniram em frente à sede do RCD na capital, Túnis.

Também ocorreram protestos fora da capital, nas cidades de Gafsa e El Kef. Foram os primeiros protestos fora de Túnis desde a saída de Ben Ali e de sua família para a Arábia Saudita, na semana passada.

Notícias relacionadas