Turquia rejeita relatório israelense sobre ação contra barco humanitário para Gaza

Cena do ataque ao Mavi Marmara mostra pela TV turca (arquivo)
Image caption Cenas do ataque geraram críticas a Israel na comunidade internacional

A Turquia condenou o inquérito israelense publicado neste domingo que concluiu ter sido "legal" o ataque de Israel ao barco que tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, em maio passado.

O premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que o inquérito não teria valor ou credibilidade.

"Este relatório foi preparado sob ordens diretas. Como pode ter qualquer valor ou credibilidade um inquérito feito pelo próprio país (acusado)?", disse Erdogan.

Outro inquérito sobre o incidente, preparado pela ONU, concluiu que a marinha israelense agiu com "níveis inaceitáveis de brutalidade".

Suspeitas

Segundo as conclusões publicadas neste domingo pela Marinha israelense, as forças israelenses agiram dentro das "regras da legislação internacional".

O ataque, em que morreram nove ativistas turcos, foi amplamente criticado na época.

Os resultados da investigação interna de Israel apenas confirmaram as suspeitas de observadores e analistas internacionais, que esperavam uma corroboração das ações das forças do país.

Image caption Mortes de ativistas turcos gerou protestos e crise diplomática

O enfrentamento ocorreu em 31 de maio do ano passado, quando mais de 600 ativistas tentavam romper o bloqueio israelense à Gaza e levar 10 toneladas de alimentos para as áreas isoladas.

Eles viajam em seis barcos sob articulação da organização Free Gaza.

Todas as mortes ocorreram no navio Mavi Marmara, de propriedade turca.

Crise

Israel diz que agiu porque os ativistas estavam determinados a atacar os seus soldados.

Mas os resultados de exames póstumos feitos na Turquia encontraram 30 balas no corpo dos nove ativistas. Um deles levou quatro tiros na cabeça.

O episódio gerou uma crise diplomática entre Israel e a Turquia. As autoridades turcas descreveram a ação como "terrorismo de Estado" e submeteram à ONU a sua própria investigação, que culpou Israel pelas nove mortes.

A entidade internacional levará em conta ambos os inquéritos para elaborar seu próprio relatório.

Após o incidente, em meio a pressões, o governo israelense aliviou o bloqueio à Faixa de Gaza, permitindo a entrada de mais alimentos e outros produtos.

Na visão do inquérito publicado neste domingo, o bloqueio naval a Gaza também é legal.

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