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Governo do Egito proíbe protestos e ameaça prender manifestantes

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O governo do Egito afirmou nesta quarta-feira que protestos estão proibidos no país. O anúncio foi feito um dia depois de milhares de pessoas terem atendido ao chamado por "um dia de revolta" e saído às ruas de várias cidades do país para protestar contra o governo do presidente Hosni Mubarak.

De acordo com um decreto do Ministério do Interior, reuniões públicas, protestos e passeatas estão proibidos, e quem contrariar as ordens será preso e processado.

Três pessoas morreram durante os protestos de terça-feira, que foram dissolvidos pela polícia com o uso de bombas de gás lacrimogêneo. A polícia também usou canhões d'água para expulsar manifestantes da Praça Tahir, local simbólico localizado no coração do Cairo.

Os protestos de terça-feira no Egito teriam sido inspirados pelo levante popular que levou à queda do governo da Tunísia, há duas semanas, e os organizadores das manifestações no Egito prometeram permanecer nas ruas até que o governo de Mubarak caia.

As ruas do Cairo amanheceram em calma nesta quarta-feira, mas há relatos de que manifestantes começavam a retornar à Praça Tahir. Um grupo de oposição ao governo convocou mais manifestações para esta quarta-feira.

Os protestos, raros no país, foram convocados pela internet, por meio de uma página no Facebook. Os organizadores, que prometiam manter a mobilização até a queda do governo, diziam protestar contra a tortura, a pobreza, a corrupção e o desemprego. Organizadores vinham usando também o Twitter para mobilizar as manifestações, mas o serviço foi bloqueado pelas autoridades.

Os Estados Unidos, aliados do governo do Egito, pediram que as autoridades do país “respondam às aspirações do povo egípcio” e respondessem "com moderação" aos protestos.

Polícia dispersa manifestantes com gás lacrimogêneo

Manifestantes foram dispensados com gás e canhões de água

Protestos populares são raros no Egito, governado desde 1981 pelo presidente Hosni Mubarak com pouco espaço para a oposição.

Para o correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne, a resposta à convocação aos protestos pela internet surpreendeu os próprios organizadores, que afirmaram que a manifestação era “o começo do fim”.

A polícia também foi surpreendida pela fúria da multidão e foi obrigada a permitir que os manifestantes chegassem à praça Tahrir, próxima ao prédio do Parlamento.

'Fora Mubarak'

O principal alvo dos protestos era o presidente, com pedidos para sua renúncia e pichações de “Fora Mubarak” em paredes.

Por volta da 1h desta quarta-feira (21h de Brasília), a polícia avançou com bombas de gás, acuando os manifestantes para ruas menores. Segundo alguns relatos, muitos manifestantes teriam sofrido agressões de policiais.

Ao amanhecer, a praça Tahrir estava vazia, com funcionários de limpeza removendo pedras e entulho deixados pelos manifestantes.

Os protestos de terça-feira também se espalharam por outras cidades do país. Dois manifestantes morreram em Suez.

Em Alexandria, milhares de pessoas se concentraram em um protesto, aos gritos de “Revolução, revolução, como um vulcão, contra o covarde Mubarak”.

Em um comunicado, o governo americano disse que o Egito tinha “uma oportunidade importante para responder às aspirações do povo egípcio”.

O comunicado da Casa Branca disse ainda que o Egito deveria promover “reformas políticas, econômicas e sociais para melhorar a vida (da população) e ajudar o país a prosperar”.

“Os Estados Unidos estão comprometidos em trabalhar com o Egito e o povo egípcio para alcançar esses objetivos”, afirmou.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse que o governo americano apoia “o direito fundamental de expressão e assembleia” e pediu a todos os partidos que “demonstrem comedimento”.

Ela acrescentou ainda que os Estados Unidos acreditam que o governo egípcio é “estável” e que “busca maneiras de responder às necessidades legítimas e aos interesses do povo egípcio”.

'Liberdade de expressão'

Na terça-feira, o governo egípcio chegou a afirmar que permitiu aos manifestantes “declarar suas demandas e exercer seu direito à liberdade de expressão”.

O governo responsabilizou o movimento islâmico proibido Irmandade Muçulmana pela violência nos protestos, dizendo que seus simpatizantes “começaram a promover a baderna, danificar propriedades públicas e a atirar pedras nas forças policiais”.

Porém o correspondente da BBC no Cairo diz que um dos líderes da oposição laica, Mohamed ElBaradei, ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), convocou os egípcios a participarem dos protestos, mas a Irmandade Muçulmana teve posição ambivalente.

O Egito enfrenta muitos dos problemas sociais e políticos que levaram aos protestos que derrubaram o governo da Tunísia – alta dos preços dos alimentos, alto nível de desemprego e descontentamento com a corrupção de funcionários do governo.

Porém a população do Egito tem um nível de educação muito mais baixo do que o da população da Tunísia. O analfabetismo é alto e a penetração da internet ainda é relativamente baixa.

Mas o correspondente da BBC no Cairo observa que é alto o grau de frustração da sociedade egípcia tanto com o governo quanto com a oposição, incluindo a Irmandade Muçulmana.

Muitos consideram que o Egito perdeu poder e prestígio durante as três décadas de governo de Mubarak.

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