Governo Dilma seguirá mesma linha em relação ao Irã, diz Patriota

Catherine Ashton e Antonio Patriota
Image caption Na quinta, Patriota viajará a Davos, onde participará do Fórum Econômico Mundial

Em sua primeira viagem à Europa como ministro brasileiro das Relações Exteriores, Antônio Patriota afirmou nesta quarta-feira, em Bruxelas, que a política do Brasil em relação ao Irã seguirá a mesma linha adotada pelo governo anterior.

Referindo-se à tentativa brasileira, em 2010, de mediar acordo para o uso de urânio enriquecido em usinas nucleares iranianas, Patriota disse que o gesto simbolizou “uma busca por uma alternativa diplomática e de construção de confiança em uma situação que está entre as mais complexas tratadas pelo Conselho de Segurança”.

“Como membro não permanente do Conselho de Segurança, nos pareceu que deveríamos tratar desse assunto (...) no espírito de tentar promover uma alternativa diplomática”, afirmou o ministro.

"Vamos manter essa linha, porque o Brasil é um país que se identifica com a busca de soluções diplomáticas para as questões de paz e segurança."

Em dezembro, uma entrevista dada pela então presidente eleita Dilma Rousseff ao jornal americano Washington Post foi interpretada como uma possível indicação de que o país se relacionaria de forma diferente com o Irã em seu governo.

Na ocasião, Dilma condenou a punição por apedrejamento, método que vigora no Irã, e disse discordar da posição brasileira em votação recente na ONU, quando o Brasil se absteve de apoiar resolução que condenava Teerã por violações de direitos humanos.

Mercosul

Patriota se encontrou em Bruxelas com a Alta Representante da União Europeia, Catherine Ashton, e com os presidentes do Conselho e da Comissão Europeia, Herman Van Rompuy e José Manuel Durão Barroso.

A reunião, segundo o chanceler, serviu para preparar os temas que constarão da agenda da cúpula Brasil-UE, que deverá ser realizada em outubro na capital belga e contar com a presença da presidente Dilma.

Patriota afirmou que também tratou no encontro sobre um acordo de associação entre o Mercosul e a UE.

“Senti um compromisso político do mais alto nível por parte da UE na direção de concluir (as negociações) de maneira satisfatória durante este exercício”, afirmou o ministro.

No entanto, nesta quarta-feira, a comissão de Agricultura do Parlamento Europeu aprovou uma resolução na qual qualifica de “inaceitável” as negociações sobre o acordo por considerar que a abertura do mercado da UE para os produtos agrícolas sul-americanos ameaçaria a agricultura europeia.

Doha

Na quinta-feira, Patriota segue para Davos (Suíça), onde participará do Fórum Econômico Mundial.

Paralelamente ao evento, o chanceler participará, na sexta-feira, de um jantar organizado pelo comissário europeu de Comércio, Karel De Gucht, para abordar um possível reinício das negociações da Rodada Doha para a liberalização do comércio mundial, paralisadas desde junho de 2008.

Também foram convidados ao encontro os representantes de Índia, China, Austrália, Japão e Estados Unidos.

Segundo Patriota, a ocasião servirá “para que os novos responsáveis pelas negociações se conheçam” e para preparar uma reunião no dia seguinte sobre as questões da rodada, com a participação de 23 países membros da Organização Mundial do Comércio (OMC).

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