Australianos pagarão até 1% do salário para ajudar em reconstrução após enchentes

Enchentes na Austrália Direito de imagem BBC World Service
Image caption Enchentes deixaram prejuízo de pelo menos US$ 5,6 bilhões

A Austrália criou uma taxa para arrecadar fundos para a recuperação dos prejuízos com as enchentes nos estados de Queensland, Victoria e New South Wales.

A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, disse que o governo espera recolher em um ano cerca de 1,8 bilhão de dólares australianos (cerca de R$ 3 bilhões) para ajudar a pagar a conta de 5,6 bilhões de dólares australianos de prejuízo com as enchentes em Queensland, no nordeste do país.

A cobrança da nova taxa começa no dia primeiro de julho e vai durar um ano. O novo imposto compulsório vai ser cobrado diretamente nos salários e obedecer a uma tabela.

Quem ganha até 50 mil dólares australianos por ano ficará isento do imposto; salários entre 50 mil e 100 mil dólares australianos anuais serão debitados em 0,5%; já quem ganha mais de 100 mil dólares por ano vai ser taxado em 1%.

As vitimas das enchentes em Queensland e no Estado de Victoria estarão isentas do pagamento.

Durante a apresentação do novo imposto, Julia Gillard disse que a Austrália tem uma economia forte e que não pode "deixar para amanhã o que podemos fazer hoje".

"Em uma economia em crescimento, nós pagamos à medida que avançamos", disse ela.

A primeira-ministra afirmou também que o governo federal fará um adiantamento de 2 bilhões de dólares australianos – o equivalente a R$ 3,4 bilhões – para acelerar o trabalho de reconstrução.

A governadora de Queensland, Anna Blingh, pediu compreensão aos australianos da necessidade do dinheiro para ajudar a socorrer as vítimas das enchentes que devastaram 75% do Estado.

Ela disse que os recursos serão usados para reconstruir casas, rodovias e ferrovias destruídas pelas inundações.

Image caption Para premiê, Austrália tem economia forte e não pode deixar tarefa 'para amanhã'

<b>Efeitos negativos</b>

Alguns economistas consideraram a taxa excessiva e alertam que a cobrança deve reduzir em 0,5 ponto percentual o crescimento da economia australiana no ano de 2011-2012. As estimativas de crescimento eram de uma aceleração de 3,25%.

Alguns australianos temem que a nova taxa acabe se tornando definitiva, como outros impostos criados por governos anteriores que permaneceram em vigor.

A taxação compulsória chega num momento que os preços dos alimentos nos supermercados estão em alta.

O mercado financeiro respondeu negativamente ao anuncio do novo imposto. O dólar australiano caiu e a bolsa de valores fechou em queda.

Para o líder da oposição, Tony Abbot, o governo deveria buscar os recursos para cobrir os prejuízos das enchentes cortando custos.

Já para o presidente do principal sindicato dos trabalhadores australianos, Paul Howes, "a nova taxa é sensata".

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