Líder norte-coreano é contra sucessão familiar no país, diz filho

O líder norte-coreano Kim Jong-il, e o filho Kim Jong-un Direito de imagem Reuters
Image caption Kim Jong-il estaria preparando filho mais novo para sucedê-lo

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, é contra que o governo do país seja ocupado apenas por membros de sua família, mas teve que aceitar esse sistema de sucessão por entender que não há nenhuma outra opção para estabilizar o regime, disse seu filho mais velho.

As declarações de Kim Jong-nam, que viveu fora da Coreia do Norte durante anos, foram feitas em uma rara entrevista para um jornal japonês, o Tokyo Shimbun, publicada nesta sexta-feira.

Tudo indica que Kim Jong-il está preparando o filho mais novo, Kim Jong-un, para sucedê-lo na liderança do país.

Sucessão hereditária "não combina com socialismo e meu pai também é contra isto", disse Kim Jong-nam na entrevista.

"Meu entendimento é que (a sucessão) foi para estabilizar o sistema interno. Uma Coreia do Norte instável leva à instabilidade na região."

Abertura

Kim Jong-nam afirmou ainda que quer que o seu meio-irmão mais novo "assuma as grandes obras que meu pai realizou. Quero que ele enriqueça a vida do povo".

"A Coreia do Norte deve prestar atenção à reforma e à abertura. Se continuar assim, não poderá se transformar em uma potência econômica."

O filho mais velho do líder norte-coreano acrescentou que o país quer muito a "normalização das relações com os Estados Unidos" e a paz na península coreana.

Kim Jong-nam passa a maior parte do tempo em Macau, na China. Acredita-se que ele tenha perdido a oportunidade de ser o escolhido para substituir Kim Jong-il devido ao seu estilo de vida extravagante.

Em 2001, ele foi flagrado tentando entrar no Japão com um passaporte falso em 2001.

O líder norte-coreano, que estaria com problemas de saúde, assumiu a liderança do país depois da morte de seu pai em 1994.

Em 2010, Kim Jong-un, de 27 anos, foi promovido a general de quatro estrelas e também foi nomeado para cargos de liderança durante a primeira convenção em 30 anos do Partido Comunista do país, ocorrida em setembro de 2010.

Tensão

A tensão na península coreana aumentou no ano passado depois que a Coreia do Norte foi acusada de realizar disparos de artilharia contra a ilha de Yeongpeong, na Coreia do Sul, em novembro.

Nesta sexta-feira, a Coreia do Norte pediu o início de negociações parlamentares para tentar decidir "como resolver a situação grave entre o norte e o sul".

Este pedido foi rejeitado pela Coreia do Sul, pois, segundo o governo sul-coreano, "falta sinceridade" à Coreia do Norte.

No entanto, as duas Coreias concordaram em manter negociações bilaterais militares a respeito do ataque em Yeongpeong e também em relação ao naufrágio de um navio de guerra sul-coreano, ocorrido em março de 2010, que teria ocorrido devido a um ataque com torpedo da Coreia do Norte.

Pyongyang nega veemente qualquer envolvimento com este incidente.

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