Egito vira um dos principais assuntos de discussão em Davos

Mubarak dissolveu o gabinete de governo Direito de imagem Reuters
Image caption Egípcios voltaram às ruas para pedir a saída do presidente Mubarak

A revolta popular no Egito contra o presidente do país, Hosni Mubarak, se tornou um dos principais temas de discussão no penúltimo dia do Fórum Econômico Mundial, realizado na cidade suíça de Davos.

Durante discurso realizado no evento, o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, afirmou que Mubarak deve iniciar um diálogo com a população egípcia. "Eu espero que o governo do Egito restabeleça a segurança e a paz", disse Kan.

Por sua vez, o senador americano John Kerry afirmou que o presidente egípcio deve dar uma resposta às preocupações de seu povo.

Em entrevista à BBC, Kerry disse que a situação no país do Oriente Médio é crítica, trazendo enorme preocupação para todos na região e no mundo.

"A solução é Mubarak responder adequadamente às frustrações reais e às demandas contidas da população do Egito em geral", afirmou Kerry. "Ele (Mubarak) pode transformar isto em um evento positivo e transformador para o Egito."

No entanto, o senador admite que a situação pode ter chegado a um ponto sem volta.

Na opinião do presidente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), José Angel Gurria, a instabilidade no Egito pode ter um impacto negativo.

"Qualquer coisa que ameace o desenvolvimento é uma preocupação para nós", afirmou Gurria.

Já o secretário-geral da Anistia Internacional, Salil Shetty, afirmou que os protestos no Egito devem servir como um "despertador" para a elite econômica e política reunida em Davos.

"É o momento para que a retórica sobre direitos humanos e reformas apresentada aqui vá ao encontro de passos genuínos para sustentar os direitos das pessoas", disse Shetty.

Os egípcios voltaram às ruas neste sábado, pelo quinto dia seguido, para pedir a saída do presidente Hosni Mubarak. Pelo menos 38 pessoas já morreram desde o início das manifestações.

Mubarak dissolveu o gabinete de governo e deu posse ao novo primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, e a um vice-presidente, Omar Suleiman, cargo este que nunca havia sido ocupado nos 31 anos do atual regime.

Leia mais na BBC Brasil: Manifestantes desafiam toque de recolher estendido no Egito

Euro

Em um dos debates do dia em Davos, a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, discordou do executivo-chefe do banco Barclays, Bob Diamond, que afirmou que a situação na Europa havia passado de "aguda" para "crônica".

"Em termos de consolidação fiscal, nós estamos indo na direção certa", disse Lagarde. Em 2010, dois países da zona do euro precisaram de ajuda para saldar suas dívidas públicas: Grécia e Irlanda.

Já o ministro de Finanças da Grã-Bretanha, George Osborne, disse em um painel em Davos que seu país precisa deixar de "assegurar a estabilidade financeira" para "assegurar um crescimento consistente".

O plano de Osborne para chegar a isto é reduzir a dívida, cortar impostos de empresas e reformar os setores de educação e saúde. Além disto, o ministro pediu que as companhias gastem as suas reservas para reativar a economia britânica.

Rodada de Doha

Um relatório divulgado neste sábado em Davos recomendou que a rodada de Doha sobre comércio exterior seja concluída até o fim de 2011, para que tenha sucesso.

O estudo foi feito por especialistas em comércio exterior, sob encomenda dos governos da Grã-Bretanha, Alemanha, Indonésia e Turquia.

O relatório afirma que um acordo neste ano pode representar "uma apólice de seguro contra protecionismo futuro" e reforçar o sistema da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A rodada de Doha foi iniciada em 2001 para estimular o comércio entre os países e reduzir o protecionismo. No entanto, os diálogos emperraram em 2008, devido a desacordos sobre questões ligadas a importações agrícolas.

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