Para Dilma, ninguém no mundo pode garantir que não desvalorizará moeda

A presidente disse que Brasil e Argentina “sofrem, como todos os emergentes”, as conseqüências da política de desvalorização cambial praticada pelas duas maiores economias do mundo – Estados Unidos e China. Direito de imagem BBC World Service
Image caption Em entrevista a jornais argentinos, presidente pediu ações contra guerra cambial

A presidente Dilma Rousseff disse, em entrevista publicada neste domingo por jornais argentinos, que “ninguém no mundo pode afirmar que não vai desvalorizar” suas moedas, no atual contexto internacional.

A entrevista da presidente foi publicada nos jornais argentinos Clarín, La Nación e Pagina 12, um dia antes de seu desembarque em Buenos Aires, nesta segunda-feira. Esta será sua primeira viagem internacional após assumir a Presidência, em 1º de janeiro.

“Nos últimos tempos, temos conseguido manter o dólar dentro de uma faixa de flutuação. Oscilou o tempo todo entre R$ 1,6 e R$ 1,7 por dólar. Mas ninguém no mundo pode dizer que garante isso (a não desvalorização)”, afirmou Dilma.

A presidente disse que Brasil e Argentina “sofrem, como todos os emergentes”, as conseqüências da política de desvalorização cambial praticada por Estados Unidos e China.

Para Dilma, Brasil e Argentina devem ter uma postura comum no G20 de “reagir contra essa política de desvalorização” que, segundo ela, “sempre levou o mundo a situações complicadas”.

Para ela, as desvalorizações competitivas conduziram, no passado, a “várias crises econômicas e a disputas políticas”.

Dilma afirmou ainda que os organismos multilaterais são “importantes” como cenário para a discussão sobre a valorização das moedas frente ao dólar. “É imprescindível que haja responsabilidade dos países desenvolvidos nesta questão”, disse.

A previsão é que a visita oficial dure pouco mais de cinco horas, com retorno para Brasília marcado para a tarde de segunda-feira. Dilma se reunirá com a presidente argentina, Cristina Kirchner, com seus ministros e com as entidades de direitos humanos Mães e Avós da Praça de Maio.

Pré-sal e energia nuclear

Dilma disse ainda que a Argentina representa uma relação “especial e estratégica” para o Brasil e sugeriu que, neste sentido, a atual agenda bilateral será ampliada.

A presidente citou como exemplo uma “política mais forte de criação e desenvolvimento de fornecedores” para a exploração do petróleo na camada do pré-sal.

“Nós temos uma política de conteúdo nacional e contemplamos uma política de conteúdo regional conjunta com a Argentina”, disse.

Dilma afirmou que a idéia é definir uma agenda na qual os dois países possam aumentar o valor agregado nos setores de alimentos e energia e gerar empregos.

“Com a Argentina queremos uma sociedade na área de tecnologia e inovação. Uma sociedade com o uso de tecnologia nuclear para fins pacíficos”, afirmou.

Duas presidentes

Para Dilma, é “motivo para festejar” o fato de duas mulheres estarem governando dos dois principais países do Cone Sul – Brasil e Argentina.

Sobre direitos humanos, a presidente afirmou que as questões nesta área não são “negociáveis”. “Não vou negociar os direitos humanos. Não vou fazer concessões nesta área” afirmou. “Os direitos humanos são tema que devemos olhar tanto no nosso país quanto no resto do mundo”.

Dilma disse ainda que apedrejar uma mulher (referencia ao caso da iraniana Sakineh Ashtiani) “não é algo adequado”.

A presidente afirmou que já fez várias viagens à capital argentina, que esteve no Teatro Colón, e que gosta de tango, tanto clássico quanto moderno. “Gosto muito do tango clássico, mas também de (Astor) Piazzolla e Bajofondo”.

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