Itamaraty desestimula viagens de brasileiros ao Egito

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Image caption Turistas aguardam voos para sair do Egito em meio a protestos

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nesta segunda-feira uma nota em que desestimula viagens de brasileiros ao Egito, diante dos violentos protestos contra o regime de Hosni Mubarak.

"A Embaixada do Brasil no Cairo desestimula qualquer viagem ao Egito até que a situação volte à normalidade, e tem atuado no retorno antecipado dos brasileiros que se encontram no país", diz o informe.

O governo afirmou que ainda não há plano de retirada de brasileiros, mas grupos de turistas estão recebendo ajuda para reservar passagens de volta.

O enviado especial da BBC Brasil ao Cairo, Tariq Saleh, diz que turistas brasileiros na cidade e em Alexandria estão apreensivos com a possibilidade de não conseguirem sair do Egito.

Um grupo de 13 pessoas, que conseguiu agendar passagens para quarta-feira, reclama que a embaixada brasileira no país não fez qualquer tipo de contato.

“Desde que os protestos começaram, ninguém da embaixada nos contatou. Não sabemos se vamos conseguir embarcar de volta para o Brasil", disse a aposentada Telma Cardoso.

“Conversei com outros estrangeiros que disseram que seus países já estavam fazendo planos de evacuação e o Brasil ainda nada", afirmou.

O Itamaraty diz que está em contato com cidadãos brasileiros que residem no Egito e que nenhum deles precisa, no momento, de ajuda especial. A embaixada afirma ainda que ajudou um grupo de 21 turistas no Cairo a embarcar em um voo de volta.

Leia também na BBC Brasil: Grupo de turistas no Cairo não sabe quando voltará ao Brasil

Evacuação

Diversos países já começaram a retirar seus cidadãos do Egito.

É o caso dos Estados Unidos, que enviaram um avião ao Cairo para levar os passageiros até o Chipre. Segundo comunicado oficial do Departamento de Estado, uma série de voos especiais para os cidadãos americanos deixaria o Egito a partir de segunda-feira.

O governo japonês também anunciou que, na segunda-feira, um avião transportaria turistas japoneses do Cairo até Roma. Estima-se que existam cerca de 1,6 mil cidadãos japoneses no Egito, que serão retirados do país em uma série de voos.

China e Índia também organizaram seus primeiros voos especiais ao Cairo. Na segunda-feira, dois voos saíram de Pequim e um voo indiano retornou a Mumbai do Cairo, levando 300 passageiros.

Na Austrália, a primeira-ministra Julia Gillard disse que australianos presos no Egito seriam retirados em um voo da companhia Qantas na quarta-feira.

Sem planos

Turistas britânicos também começam a retornar ao país, mas por conta própria. O Ministério das Relações Exteriores britânico disse que não há plano formal de retirada, mas orientou turistas e residentes no Egito a deixar o país.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, anunciou o envio de uma equipe consular especial ao aeroporto do Cairo.

Segundo o jornal New Zealand Herald, a Nova Zelândia ainda não tem planos formais para a retirada dos cerca de 300 turistas que estão no país.

O primeiro-ministro John Key disse que o governo está "monitorando a situação" e que aviões da Força Aérea podem ser usados para a evacuação caso seja necessário.

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