Premiê de Israel convoca reunião para discutir crise no Egito

Netanyahu (esquerda) e Mubarak Direito de imagem BBC World Service
Image caption Israel tem evitado elogiar publicamente o governo de Mubarak

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Natanyahu, convocou em caráter especial uma reunião do gabinete de segurança para discutir os últimos acontecimentos no Egito.

Durante a reunião dominical de gabinete, o premiê pronunciou-se pela primeira vez sobre a situação no país vizinho.

"A paz entre Israel e Egito dura mais de trinta anos, e o nosso objetivo é assegurar que essas relações continuem a existir", afirmou.

O Egito e a Jordânia são os únicos países árabes com os quais Israel mantém relações diplomáticas. A estabilidade nos dois países, com os quais Israel também tem fronteiras, é considerada estratégica.

‘Traição’

Os ministros israelenses teriam recebido uma ordem para manterem a discrição e não comentarem a situação no Egito, considerada um assunto delicado.

Segundo analistas, por um lado, Israel evita demonstrar apoio demasiado ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, para não contrariar ainda mais a população egípcia. Do outro, membros do governo israelense acreditam que Mubarak ajudou a manter a paz na região nos últimos anos.

"Ele (Mubarak) conservou a paz no Oriente Médio", disse nesta segunda-feira o presidente de Israel, Shimon Peres.

De acordo com o jornal israelense Haaretz, o governo de Israel, por vias diplomáticas, tenta convencer os Estados Unidos e países europeus a não criticarem Mubarak, já que a relação dele com os países ocidentais é considerada boa.

Essa atitude poderia deixar os governos da Jordânia e Arábia Saudita, países também com bom relacionamento diplomático com o mundo ocidental, preocupados com o que poderiam considerar uma “traição" a Mubarak, diz o jornal.

‘Vítima’

Para o diretor do Instituto de Estudos de Segurança Nacional da Universidade de Tel Aviv, Oded Eran, a grande "vítima do que acontece no Egito será a situação de Israel, apesar de ser um tema quase insignificante nas manifestações".

Eran diz acreditar que qualquer novo governo egípcio ficará "relutante em relação ao acordo de paz com Israel (assinado em 1979)", por isso vai haver uma "esfriada" ainda maior nas relações.

Atualmente, há a cooperação entre os dois países no quesito segurança das fronteiras, mas de resto, a relação entre os dois governos é considerada "fria".

Para Eran, o cenário mais provável é um acordo entre a oposição e Mubarak para a realização de eleições parlamentares - democráticas e com monitoramento internacional.

Se o regime cair sob a pressão da população e da comunidade internacional, "vai desestabilizar toda a região, pelo fato de o país ser considerado estratégico no Oriente Médio".

A eleição presidencial no Egito já estava marcada para setembro. "E não deve ser antecipada", afirma o acadêmico. A grande questão é quais serão os candidatos à Presidência.

Hamas

Outra preocupação israelense seria sobre as ligações entre parcelas da oposição egípcia e o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, região encravada entre Israel e o Egito.

Dois militantes palestinos do Hamas foram presos na manhã desta segunda-feira ao tentar entrar ilegalmente no Egito.

Segundo as forças de segurança egípcias, eles levavam armas, granadas de mão, dois lançadores de granadas e cerca de 50 mil libras egípcias (aproximadamente R$ 14,3 mil) em dinheiro.

No domingo, o Egito deslocou um reforço no contingente militar para a fronteira com Gaza, para tentar evitar a infiltração de integrantes do Hamas.

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