Homem confessou ter abusado de mais de cem na Suiça, diz polícia

Gabriele Berger, da polícia suíça Direito de imagem Reuters (audio)
Image caption Policial disse que caso não tem precedentes na Suíça

Um homem confessou ter abusado de mais de cem crianças e adultos com deficiências físicas e mentais internados em clínicas na região da capital suíça, Berna, e na Alemanha, informaram nesta terça-feira autoridades locais.

Os abusos teriam ocorrido nas últimas três décadas, em um caso considerado sem precedentes pelas autoridades suíças. O acusado, que não foi identificado, tem 54 anos e trabalhou em nove clínicas diferentes desde 1982, na Suíça e na Alemanha.

O homem, que trabalhava como cuidador, começou a ser investigado após a denúncia de duas de suas supostas vítimas.

Um oficial da polícia de Berna relatou que há fotos e vídeos dos abusos, que serão usados como provas. O acusado teria admitido 114 abusos, mas a polícia diz ter identificado 122 vítimas – a mais jovem delas tinha um ano de idade na época do suposto crime, e 42 delas já eram maiores de idade.

“Uma das questões centrais dessa investigação é (entender) como um nível de abuso tão grande possa ter passado despercebido por tanto tempo”, disse a chefe da unidade de investigações especiais da polícia de Berna, Gabriele Berger, em entrevista coletiva.

Denúncias

O caso veio à tona em março passado, depois de dois residentes de uma clínica terem informado seus parentes que o cuidador havia tido contato sexual com eles. Depois disso, o acusado foi detido.

O cuidador já havia sido investigado em 2003, por denúncias de abuso sexual, mas as averiguações foram abandonadas por causa de provas conflitantes, declarou Berger.

De acordo com a agência de notícias suíça ATS, essas denúncias de 2003 diziam respeito a uma deficiente mental de 13 anos.

Entre as supostas outras vítimas do cuidador, a maioria era do sexo masculino, e algumas tinham deficiências físicas e eram incapazes de falar. Acredita-se que filhos de funcionários das clínicas também tenham sido abusados por ele.

A polícia diz que o cuidador está cooperando com as investigações e se autodescreveu como pedófilo.

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