ElBaradei diz que violência é obra de ‘regime criminoso’

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Image caption Simpatizantes pró-Mubarak entraram na praça a cavalo

O oposicionista egípcio e Nobel da Paz Mohammed ElBaradei disse que as cenas de violência ocorridas nos protestos da quarta-feira na praça Tahir, no Cairo, são "atos de um regime criminoso".

"Estou extremamente preocupado. Esta é outra indicação de um regime criminoso usando atos criminosos", disse ele.

"Todos têm direito a manifestações pacíficas, mas você não permite que manifestantes (de lados) opostos se encontrem, porque desta forma você está pedindo por violência."

"Meu temor é que isto se torne um banho de sangue, especialmente por sabermos que os simpatizantes de Mubarak são uns trogloditas."

ElBaradei, que ocupou o posto de diretor da Agência Internacional de Energia Atômica e surgiu como um potencial porta-voz da coalizão de movimentos de oposição, rejeitou a possibilidade de ocupar algum posto no governo.

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Image caption A violência prosseguiu no início da noite

"Não tenho interesse em assumir nenhum cargo. Estou aqui como egípcio para garantir que, neste estágio da minha vida, o Egito mude de um regime opressor e autoritário para uma democracia", disse ele.

"Essa é a minha prioridade, mas se o povo quiser que eu contribua de outra forma, não vou decepcioná-los", afirmou.

Perfil

Nascido em 1942, ElBaradei formou-se em Direito pela Universidade do Cairo. Foi chefe da AIEA entre 1997 e 2009, período no qual atuou nas negociações com a Coreia do Norte e o Irã.

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Image caption Baradei recebeu o prêmio Nobel da Paz em 2005

Antes da invasão do Iraque, em 2003, ElBaradei questionou as acusações, feitas pelos Estados Unidos, de que o regime de Saddam Hussein teria armas de destruição em massa.

ElBaradei tem participado ativamente dos protestos no Cairo. Ele nunca disputou eleições, mas seu nome é fortemente cogitado para liderar um governo de transição, caso Mubarak deixe o poder.

Para isso, ElBaradei já recebeu o apoio de diversos partidos e movimentos de oposição.

Mas ElBaradei sofre críticas internas por ter morado muito tempo fora do Egito e, por esse motivo, supostamente ter pouco conhecimento da realidade do país. Especialistas afirmam que, para vários egípcios, o fato de ElBaradei ser um civil conta pontos para ele - o país é governado por militares desde 1958.