Cantor e ex-primeira-dama disputarão segundo turno no Haiti

Campanha de Michel Martelly Direito de imagem Reuters
Image caption Segundo turno da eleição presidencial deveria ter ocorrido em janeiro

A comissão eleitoral haitiana anunciou nesta quinta-feira que o segundo turno da eleição presidencial no país será disputado pela ex-primeira-dama Mirlande Manigat e pelo cantor Michel Martelly.

A decisão, ocorrida após uma noite de deliberações, significa que o candidato apoiado pelo governo, Jude Celestin, está fora do pleito, marcado para 20 de março.

Resultados iniciais do primeiro turno da eleição de novembro mostraram Celestin em segundo lugar, o que gerou dias de protestos no país caribenho.

Observadores internacionais disseram que houve fraude em favor do candidato.

Sob pressão internacional, o Inite, o partido governista, retirou Celestin da disputa, mas o candidato tem se recusado a acatar a decisão.

Por causa do impasse, o segundo turno não ocorreu em janeiro, conforme o previsto.

Houve pedidos, inclusive por parte de outros candidatos derrotados, para que o primeiro turno fosse anulado e outra eleição fosse organizada.

Manigat

Antes de posicionar-se sobre o segundo turno, a comissão eleitoral haitiana confirmou que Manigat venceu o primeiro turno.

No entanto, até a decisão de quinta-feira, resultados preliminares apontavam Celestin como o segundo colocado.

O presidente René Préval então convocou um grupo de observadores internacionais, que indicaram ter havido fraude em favor de Celestin e recomendaram a retirada do candidato.

O mandato de Préval termina formalmente em 7 de fevereiro, mas o Parlamento o autorizou a permanecer no cargo até 14 de maio.

A disputa política ocorre num momento em que o Haiti tenta se recuperar de uma epidemia de cólera e do terremoto que assolou o país no ano passado.

Na quarta-feira, bancos, lojas e escolas ao redor do país fecharam mais cedo para permitir que as pessoas fossem para casa e escapassem de eventuais distúrbios. Até agora, porém, não houve relatos de violência.

A situação no país também se complicou com a inesperada volta, no mês passado, do ex-presidente Jean-Claude Duvalier.

Baby Doc, como ele é conhecido, agora enfrenta acusações de corrupção e violação de direitos humanos durante o seu governo, entre 1971 e 1986. Ele nega qualquer irregularidade.

Em outro caso, o governo diz estar pronto para conceder um passaporte ao ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, abrindo o caminho para seu possível retorno.

Primeiro presidente democraticamente eleito do Haiti, Aristide foi deposto há sete anos e desde então vive exilado na África do Sul.

Seu partido, Fanmi Lavalas, foi impedido de disputar as últimas eleições presidenciais e legislativas. O governo justificou-se dizendo que havia erros técnicos nos formulários de inscrição da legenda.

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